quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Debate sobre autismo domina discussões e expõe corporativismo na CMM

Vereadores de Manaus se negaram a realizar audiência pública para discutir a efetivação da presença de mediadores nas escolas municipais para alunos com Autismo.
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CMM
Fachada da Câmara Municipal de Manaus Foto: Divulgação/CMM

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) dominou os debates da Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta segunda (3) e terça-feira (4). O Dia Mundial de Conscientização do Autismo foi comemorado no último domingo, 1º de abril.

Na segunda-feira, as discussões se deram em função de um requerimento, de autoria do vereador Rodrigo Guedes (Podemos), que solicitava a realização de audiência pública para discutir a efetivação da presença de mediadores nas escolas municipais para alunos com TEA e outras deficiências.

A solicitação de audiência foi feita Conselho Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência e encampado por Guedes. O objetivo é discutir a presença de mediadores nas escolas municipais para assistirem as crianças com TEA, obrigação prevista na Lei Brasileira da Inclusão.

A prefeitura anunciou que contrataria 1.500 mediadores, o que ainda não aconteceu, embora tenha aumentado a presença desses profissionais nas unidades educacionais – passaram de 160 para pouco mais de 500, segundo vereadores da base governista.

O requerimento para realizar a reunião com presença de representantes da Secretaria Municipal de Educação (Semed) foi derrubado pela maioria do plenário. Foram 16 votos contrários e oito a favor.

Exposed de votação

O assunto continuou rendendo na sessão desta terça.

O fato de Rodrigo Guedes ter exposto nas redes sociais quem votou a favor e quem votou contra o requerimento, assim como alguns veículos de comunicação, não foi bem digerido por parte dos vereadores.

O vereador Wallace Oliveira (Solidariedade), que votou pela derrubada do requerimento, se mostrou particularmente incomodado com a exposição.

“Ninguém aqui, em sã consciência, será contra essa causa. O problema é que determinadas pessoas levam para a mídia de uma forma distorcida, querendo trazer um ganho que não existe. E, como a máxima oriental diz que uma mentira falada por dez vezes pode parecer verdade… Eu lamento que a pessoa que tenta trazer essa desvirtuação de uma luta tão nobre, trazer a politicagem por uma luta tão nobre, é uma pessoa useira de ‘fake news’”, disse ele, em referência indireta a Guedes.

Wallace chegou a se exaltar e disse que, quando vereadores são expostos, a CMM também é, assim como o presidente da Casa, Caio André (PSC).

“Essa Casa foi colocada em xeque, vereador presidente, e a sua presidência também. Porque quando se diz a Câmara Municipal de Manaus, vossa excelência está nesse lamaçal, vossa excelência está sendo colocada dentro deste mesmo paneiro, não é só o vereador Wallace ou os vereadores que votaram a favor da derrubada do requerimento”, disparou.

O presidente respondeu que não fez nenhum pronunciamento nas redes ou na imprensa em apoio às críticas contra colegas de parlamento.

“Jamais me posicionei ou me posicionaria, não só enquanto presidente, contra essa Casa. Sou 100% Câmara de Manaus e não fiz qualquer tipo de posicionamento nas redes sociais, tampouco na imprensa, quanto ao tema tratado. Sempre estarei ao lado da Câmara, sempre estarei ao lado da população”, disse.

Além de Wallace, engrossaram o coro corporativista os vereadores Sassá da Construção Civil (PT), Raulzinho (PSDB), Professor Samuel (PL), Dione Carvalho (Patriota) e até o líder do prefeito, Fransuá (PV).

Discurso x Prática

O vereador Capitão Carpê (Republicanos) fez uma das falas críticas mais incisivas contra a negativa da CMM em realizar a audiência.

“Me sinto envergonhado, neste momento, de fazer parte dessa legislatura. Muito se dá em lição de moral nesta Casa, mas pouco se faz. Quando se tem a oportunidade de mostrar para a população a importância da pauta, não se vota favorável, porque vota de acordo com a sua conveniência. Nós não estamos discutindo a importância de ter um mediador, todo mundo já sabe [que há]. As mães, os pais, eles querem ser ouvidos”, disse.

“A população precisa sim saber, não precisa de cortina de fumaça”, disparou.

O autor do requerimento, por sua vez, disse que “o parlamento serve para falar, ouvir e dar voz às pessoas”. “E quando a gente não oportuniza que o povo fale, a gente está fechando as portas do parlamento, que não é um prédio”, acrescentou Rodrigo Guedes.

Da Redação

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