sexta-feira, 2 de outubro de 2026

IPAAM tem 20 dias para revogar licenças de exploração de ouro no AM

MPC recomenda que IPAAM anule duas licenças de exploração de ouro em terra indígena. Na região, Bolsonaro havia concedido sete licenças, mas suspendeu após questionamentos.
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O município de São Gabriel da Cachoeira conta com 31.301 eleitores, segundo o TSE (Foto: Chico Batata)

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) tem até 20 dias para rever e anular duas licenças de exploração de ouro em terra indígena, com a utilização de dragas, nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus). A recomendação é do Ministério Público de Contas (MPC).

Assinada pelo procurador de contas Ruy Marcelo Alencar de Mendonça, o documento assinala que duas licenças foram assinadas, ano passado, pelo IPAAM liberando a atividade mineral para o empresário Avemar Roberto Rocha, de Porto Velho (RO).

Segundo o MPC, as licenças foram deliberadas, em abril de 2022, sem estudo prévio de impacto ambiental (EIA/RIMA) e sem as fases procedimentais do licenciamento ambiental, ditadas pelas normas gerais e legalmente exigíveis (LP e LI), para empreendimento de pesquisa de produção mineral industrial por dragagem de ouro do leito do Rio Negro e do tributário Igarapé Unei, na região do Médio Rio Negro.

As regras para essa região englobam os municípios de Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira.

Conforme o MPC, as drenagens nos leitos dos rio, voltadas à mineração aurífera, afetam grande quantidade de terras indígenas, unidades de conservação federais, glebas federais e florestas públicas, além de comunidades tradicionais indígenas, ribeirinhas e extrativistas, e espécimes de fauna e flora que vivem no local.

O RealTime1 procurou o IPAAM para falar sobre a recomendação do Ministério Público de Contas, mas até o fechamento desta matéria o órgão não se manifestou.

Área mais preservada da Amazônia

Em 2021, o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro concedeu sete licenças para exploração de ouro em São Gabriel da Cachoeira. Os documentos foram assinados pelo chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno.

Considerada a capital dos povos indígenas no Amazonas, São Gabriel da Cachoeira tem 23 etnias e possui 90% da população composto por indígenas e descendentes.

A exploração do ouro na área incluía a fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela.

Depois de recomendações da Agência Nacional de Mineração (ANM), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e de um processo movido pelo Ministério Público Federal no Amazonas, o governo federal suspendeu os atos.

Otávio Guedes, do RealTime1

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