quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Banco Central aponta risco de redução no desemprego elevar a inflação

Entre economistas, há a visão de que o país pode estar se aproximando do que seria o nível do pleno emprego -o que pressiona principalmente os preços de serviços.
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A melhora do mercado de trabalho traz risco de alta para a inflação no Brasil, indicou o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na quarta-feira (21), ao anunciar a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano.

Entre economistas, há a visão de que o país pode estar se aproximando do que seria o nível do pleno emprego -o que pressiona principalmente os preços de serviços e adiciona preocupações para o controle da inflação.

De acordo com o comunicado do Copom, há risco de “um hiato do produto mais estreito que o utilizado atualmente pelo comitê em seu cenário de referência, em particular no mercado de trabalho”.

O hiato do produto mede a diferença entre o crescimento potencial da economia e o efetivo, e a situação do mercado de trabalho é um dos termômetros para estimar essa diferença.

A taxa de desemprego de equilíbrio, ou seja, aquela que não interfere na inflação (também conhecida como Nairu), é uma das formas de medir a ociosidade da economia. Quanto menor a taxa de desemprego, mais renda é liberada na economia e há aumento na demanda, o que gera pressão inflacionária. Como não há um modelo único de cálculo para a Nairu, é um dado difícil de ser estimado.

“É uma variável não observável, tem uma dispersão grande”, disse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em um evento no início do mês, duas semanas antes do Copom.

Iniciada em 2012, a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o mercado de trabalho, limita a análise por apresentar números apenas em um período curto, de acordo com economistas.

Além disso, as observações incluem períodos conturbados, como a crise econômica de 2014 a 2016 e a pandemia de Covid-19, que teve início em 2020 -o que também complica a avaliação.
Apesar da incerteza em torno da Nairu, o BC entende atualmente, segundo Campos Neto, que ainda há espaço na economia para gerar emprego sem pressionar a inflação. “Mas, quanto mais a gente olha, mais a gente vê que o espaço diminuiu recentemente”, disse.

A taxa de desemprego recuou para 9,1% no trimestre encerrado em julho deste ano, segundo dados do IBGE. Foi o menor patamar desde 2015. No trimestre até julho de 2021, quando a economia continuava afetada pelas restrições em meio à pandemia de Covid-19, a taxa de desemprego estava em 13,7%.

Enquanto isso, o rendimento médio do trabalhador tem subido neste ano -embora ainda longe de se recuperar da queda acentuada de 2020 e 2021 (a renda ficou em R$ 2.693 em julho, 2,9% abaixo de um ano antes).

“A economia brasileira operou aquém do pleno emprego de 2015 até alguns meses atrás. Quando a economia opera com folga de recursos produtivos, isso ajuda a manter a inflação baixa”, disse Bráulio Borges, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

“Agora isso sai de cena, porque a gente já está com uma economia bem próxima do pleno emprego, nesse sentido que surge a preocupação do BC”, acrescentou.

De acordo com os cálculos do economista, a taxa de desemprego de equilíbrio no Brasil oscilava entre 9,5% e 10% até 2017. Com a reforma trabalhista e a sanção da lei da terceirização, ele estima a redução de um ponto percentual, levando a Nairu para cerca de 8,5%.

“Existe, sim, a possibilidade de que a taxa de desemprego brasileira ainda neste ano vá para baixo dos 8,5%. Ou seja, aí a gente já estaria em uma economia superaquecida, mais ou menos o que está havendo hoje nos Estados Unidos”, afirmou.

Fonte: Folhapress

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