Antes do início do horário eleitoral no rádio e na televisão, que começa no dia 26 de agosto, as campanhas dos candidatos na eleição de 2022, Bolsonaro (PL) e Lula (PT) têm usado o YouTube para testar o tom dos vídeos que serão veiculados na TV.
As equipes tentam obter respostas em tempo real do sucesso de propagandas publicadas na internet em visualizações, curtidas e compartilhamentos em cada região do país. Os resultados servem para alinhar estratégias que serão tomadas na semana anteriores ao primeiro turno.
Na disputa por relevância, o atual presidente sai na frente com um canal oficial criado em 2009, com mais de 3,7 milhões de inscritos. Na plataforma, o tom dos vídeos destoa do que é publicado no Facebook e no Twitter.
As postagens na página oficial de Bolsonaro no YouTube se concentram em entregas de programas do governo federal, com vídeos em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia, Maranhão e Paraná. Não há, por exemplo, cortes de vídeos em agosto com títulos com ataques a rivais ou contestações ao sistema eleitoral, o que presidente faz com frequência nas suas redes sociais, Facebook e Twitter.
Líder nas pesquisas, Lula acumula 533 mil inscritos no seu canal oficial na plataforma, criado em 2018, nove anos após a estreia de Bolsonaro.
O petista apostou nas últimas semanas em vídeos com apoiadores populares nas redes sociais como a cantora Anitta e o novo aliado Rodrigo Janones (Avante), que desistiu da candidatura para apoiar ao ex-presidente.
Lula também testa ataques ao segundo colocado nas pesquisas. Em um vídeo de 30 segundos, publicado no dia 8 de agosto, foram reproduzidas falas do presidente minimizando a Covid-19 e ironizando os efeitos dela.
“Bolsonaro debochou da pandemia que matou 670 mil brasileiros. Quatrocentas mil vidas poderiam ter sido salvas. Não esqueceremos”, diz a propaganda.
Na plataforma do Google, candidatos têm ainda a opção de pagar para incluir propagandas no espaço comercial, que são veiculados antes de outros vídeos para públicos específicos no site.
A campanha de Lula gastou quase R$ 1 milhão em anúncios em uma semana. Nas peças, não há citação a Bolsonaro, mas são feitas comparações do período em que Lula foi presidente com o momento atual.
Em um dos vídeos impulsionados, a campanha petista mostra um prato de comida cheio, que começa a ser esvaziado enquanto o locutor cita inflação e aumento do preço do feijão e do arroz, até aparecer o recipiente vazio com fome escrito.
Os testes na internet se somam a outras ferramentas para usadas para análises que definirão o tom e linguagem utilizados nas campanhas, como as pesquisas qualitativas.
Realizadas com grupos de 8 a 12 pessoas, com perfis específicos, que são expostas a versões das campanhas produzidas que ainda não foram ao ar.
Essas pesquisas têm sido feitas com mulheres em determinada faixa etária, beneficiados por programas sociais e evangélicos, por exemplo. Após assistirem aos vídeos, os convidados são incentivados a debaterem entre eles e emitirem opiniões, que serão, posteriormente, usadas pelas equipes dos candidatos.
Texto: Paulo Passos (FolhaPress)
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