quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Venda de carbono pode beneficiar ribeirinhos do AM, explica titular da Sema

Eduardo Taveira ressalta que o programa "Guardiões da Floresta", do Governo do Amazonas, oferta remuneração ao ribeirinho que cuida da floresta.
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(Foto: Reprodução/RealTime1)

Titular da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Eduardo Taveira disse, em entrevista à TV RealTime1, que a floresta em pé presta uma quantidade enorme de serviços. Além de fornecer água, retém carbono, que é importante para a manutenção do clima no mundo, porque a floresta é um depósito desse elemento químico.

O secretário explicou como o serviço de proteção da floresta pode ser pago com o chamado “crédito de carbono” e beneficiar ribeirinhos.

‘Guardiões da Floresta’

Taveira lembrou que, neste ano, o governador Wilson Lima anunciou, durante reunião anual dos governadores, o programa “Guardiões da Floresta” – uma remuneração para o ribeirinho que cuida da floresta.

O pagamento será para moradores de unidades de conservação, como incentivo e reconhecimento do trabalho de manter a floresta em pé. Um desses serviços ambientais, que já tem uma metodologia de pagamento, é o carbono. Quanto menos emissão de carbono, mais ganhos de créditos.

“Temos o maior estoque de carbono do mundo, mas o problema é que não temos uma regulamentação desse mercado”, ressalta o secretário.

Projeto de Lei apresentado pelo deputado Marcelo Ramos na Câmara dos Deputados prevê que haja uma regulamentação para que o Brasil possa participar de maneira mais efetiva do crédito de carbono.

Política de serviços ambientais

O secretário destaca que o Amazonas já regulamentou a política de serviços ambientais, entre elas, um subprograma chamado REDD, que, tem um mercado chamado “Mercado Voluntário”.

As empresas podem compensar as suas emissões por meio do mercado voluntário, ou no mercado que não está regulamentado e é chamado de offset (compensações – para créditos florestais, energias renováveis, gestão de resíduo e etc). Esse último modelo transforma os créditos em um papel negociável no mundo todo.

“Uma empresa compra um crédito desse e zerou as suas emissões. Ela conseguiu zerar mais ainda os seus processos e pode pegar esse crédito e vender para outra empresa, se tornando um mercado global. Esse mercado, que ainda não está regulamentado, também trás muito dinheiro”, enfatiza Taveira.

O carbono no mercado voluntário chega no máximo a US$ 10. Hoje, está sendo pago US$ 5 a tonelada de carbono. O Amazonas já faz transações com esse carbono. Há um projeto certificado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável RDS-Juma, que já tem venda de créditos.

No mercado de carbono regulamentado, pode ser pago até US$ 50 – valor é cinco vezes a mais.

Confira a entrevista na íntegra:

Texto: Aldizangela Brito

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