quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Careiro na 'sofrência' com enchente e pagando R$ 670 mil a forrozeiros

O município é uma das 45 cidades do Amazonas que decretaram estado de emergência devido a cheia dos rios, mas considera contratação compatível com o interesse público.
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Careiro
(Foto: Defesa Civil/Divulgação)

Careiro, distante a 88 quilômetros de Manaus, está entre os 45 municípios do interior do Amazonas que decretou estado de emergência devido a cheia dos rios. Esta poderia ser uma das razões para a Prefeitura não buscar fazer gastos desnecessários. No entanto, o prefeito Nathan Macena contratou dois artistas nacionais para participarem da Feira Agropecuária (Agropec), a ser realizada em agosto deste ano.

O gasto com as contratações dos cantores Mano Walter e Zé Vaqueiro chegam a R$ 670 mil.

Os extratos de inexigibilidade de licitação No 006/2022 e 005/2022 com os valores R$ 450 mil e R$ 220 mil, respectivamente, foram publicados no Diário Oficial da Associação dos Municípios do Amazonas, atribuindo a falta de exigência para realização de certame e com “proposta de preço considerada compatível com o interesse público”.

Careiro, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma população estimada em 38.820 mil habitantes, já contabiliza 11.668 mil pessoas afetadas e 2.917 mil famílias foram atingidas devido o avanço das águas na Calha do Baixo Solimões. Estes dados constam no relatório a Defesa Civil do Amazonas divulgado nesta terça-feira (7).

Procurado pela reportagem por meio do número (92) 9XX89-1XX3, o prefeito Nathan Macena não atendeu aos telefonemas.

Polêmica nacional

O pagamento de cantores sertanejos por prefeituras gerou polêmica após Zé Neto, da dupla com Cristiano, alfinetar a cantora Anitta e a Lei Rouanet.

“Nós somos artistas que não dependemos de Lei Rouanet. Nosso cachê quem paga é o povo. […] A gente não precisa fazer tatuagem no ‘toba’ para mostrar se a gente está bem ou não. A gente simplesmente vem aqui e canta, e o Brasil inteiro canta com a gente”, disse o integrante da dupla Zé Neto e Cristiano.

Após a declaração polêmica, os cantores sertanejos entraram na mira do Ministério Público e foi descoberto pagamentos milionários para cantores sertanejos feitos por prefeituras. A diferença desses pagamento para a Lei Rouanet é que ela exige critérios para financiar eventos culturais e shows, enquanto as prefeituras apenas escolhem o artista que pretendem contratar.

Comitê Anticorrupção pede ao MPAM que investigue os pagamentos

O Comitê Amazonas de Combate à Corrupção enviou, nesta quarta-feira (8), uma representação ao Ministério Público do Amazonas pedindo uma investigação nas contratações de artistas pelas prefeituras do interior, que estariam optando por pregão presencial em detrimento de pregão eletrônico, o que configura agressão aos princípios constitucionais da modicidade, da excepcionalidade, da moralidade, da legitimidade e da economicidade.

Texto: Aldizangela Brito

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