O preço do pão francês deverá subir, em média 20%, ao longo da semana. Segundo o Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas (Sindpan-AM), o reajuste é reflexo da guerra entre Rússia e Ucrânia, que resulta em dificuldades logísticas para a exportação do trigo. A queda na oferta do insumo é seguida da disparada no preço e pela busca por mercados fornecedores alternativos.
O presidente do Sindpan, Carlos Azevedo, afirma que o reajuste ocorre em escalada e que desde que os conflitos entre os países exportadores iniciaram, nas últimas semanas, o preço médio da tonelada do grão de trigo elevou 46,25%. Atualmente, as indústrias adquirem 50 quilos de trigo por R$215.
“Desde do início da guerra entre Rússia e Ucrânia os mercados não tiveram mais acesso ao trigo que era fornecido por esses grandes produtores e agora, buscam o produto em outros países, como é o caso da Argentina. Isso elevou o preço e o repasse do reajuste é inevitável. Vale considerar que há o agravante do reajuste dos preços dos combustíveis. Tudo encarece os custos de produção”, explicou Azevedo.
De acordo com o presidente, a previsão é que as empresas repassem os custos sobre o preço do pão francês ao longo da semana. Isso porque panificadoras que precisam repor estoque demandarão insumos que já serão repassados por valores acrescidos.
“As empresas já estão revendo seus custos. Nesta semana os preços já deverão ser repassados. Muitos estão sem estoque e precisarão repor para continuar trabalhando”, comentou.
Reflexos no país
A Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), esclareceu que além da queda na oferta de trigo, fator da alta dos preços, o desabastecimento tem a ver com dificuldades logísticas (a guerra fechou portos, interrompeu o transporte) e com a queda da produção ucraniana da commodity.
Conforme a Abimapi, o Brasil produz menos da metade do trigo consumido e precisa importar grandes quantidades do grão de países do Mercosul – sobretudo da Argentina –, do Canadá e dos Estados Unidos. A elevação do preço do grão, impacta diretamente os valores de produção para os fabricantes das categorias. Nas massas, em média, 70% do custo é de farinha. Nos biscoitos, o peso é de 30%, e nos pães e bolos industrializados, de 60%.
Texto: Priscila Caldas
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