quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Bolsonaristas dizem lutar por ZFM, mas defendem decreto do presidente

Coronel Alfredo Menezes culpou os políticos do Amazonas por não termos uma alternativa ao modelo Zona Franca de Manaus, que perderá competitividade com decreto de Bolsonaro.
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Menezes e Bolsonaro

O autoproclamado ‘líder’ do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Amazonas, o ex-superintendente da Suframa Alfredo Menezes defendeu, em um vídeo divulgado nas redes sociais, a edição do decreto que reduz em 25% o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) que, praticamente, feriu de morte o modelo Zona Franca de Manaus.

A exemplo do presidente, Menezes atribuiu aos governadores, o atual e os anteriores, o possível desmanche do modelo.

No vídeo, Menezes diz que a Zona Franca foi criada há 55 anos e neste período os governadores e os políticos de um modo geral não criaram uma alternativa para o Estado e que a solução para este problema está sendo gestada pelo governo Bolsonaro ao reduzir o IPI.

Contudo, não explicou que solução é essa que passa pela retirada da competitividade da indústria local.

Ex-chefe da Suframa, Menezes, que é coronel da reserva do Exército, sabe que sem o IPI a Zona Franca não sobreviverá e que as indústrias instaladas em Manaus vão se transferir para outros centros produtores, não necessariamente no Brasil, como aconteceu com a redução dos incentivos para o polo de concentrados em 2019 e fez com que a Pepsi transferisse sua operação de Manaus para o Paraguai.

Bolsonaristas estão num ‘morde e assopra’

Outro aliado do presidente, assim como Menezes, que tentou contemporizar os efeitos do decreto, baixado por orientação do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi o deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos).

Nas redes sociais, Alberto Neto disse que Bolsonaro é um defensor da Zona Franca de Manaus, mas também não explicou que tipo de defesa é essa que tira a competitividade das indústrias instaladas no PIM.

Bolsonarista de primeira hora, o deputado federal Delegado Pablo Oliva (PSL) foi mais coerente em seu posicionamento ao destacar que o decreto é ruim para o modelo Zona Franca e que vai defender, junto com a bancada no Congresso Nacional, que o texto seja atualizado, respeitando a indústria amazonense. A posição de Pablo, alinhada com a bancada vai de encontro a posição de Alfredo Menezes, o líder do presidente aqui no Estado.

Ex-superintendente da Suframa como Menezes, o ex-prefeito de Manaus Alfredo Nascimento, que articula uma candidatura à Câmara Federal com o apoio de Bolsonaro, não falou sobre o caso e nem respondeu aos pedidos. Também na mesma linha ficou o deputado estadual Delegado Péricles (PSL), que é autor do projeto que deu a Bolsonaro o título de Cidadão Amazonense.

Texto: Gerson Severo Dantas

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