Denunciada em relatório da Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) como uma das mineradoras internacionais com pretensões de explorar terras indígenas no Brasil, a mineradora AngloGold Ashanti emitiu um comunicado oficial no qual nega qualquer iniciativa neste sentido.
Conforme a nota, “a AngloGold Ashanti informa que não opera e não tem interesse em operar em Terras Indígenas(TIs). Na década de 1990, a produtora de ouro solicitou requerimentos de pesquisa mineral em diversas regiões no País. Três dessas áreas posteriormente foram demarcadas como Terras Indígenas (TIs), o que levou a companhia a desistir das mesmas.
A decisão foi protocolada junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) no final da década de 1990. No entanto, como não houve atualização do processo no sistema da ANM, a AngloGold Ashanti ratificou a retirada do requerimento de pesquisa em 21 de junho de 2021.
Atualmente, os investimentos da empresa no Brasil estão concentrados basicamente na
expansão de suas minas localizadas em Minas Gerais e Goiás”.
O relatório da Apib, que está em sua quarta edição e é realizado em parceria com a Amazon Watch, aponta que o desmatamento na Amazônia relacionado à mineração aumentou 62%, em 2021, em comparação ao ano de 2018.
A AngloGold Ashanti foi citada como interessada em explorar terras indígenas, junto com as empresas, Vale, Anglo American, Belo Sun, Potássio Brasil e Mineração Taboca/Mamoré Mineração e Metalurgia (grupo Minsur), Glencore e Rio Tinto. Além da mineradora, a Mineração Taboca também se posicionou dizendo não ter interesse em atuar em reserva indígena.
A Apib afirma que produziu o relatório a partir da base de dados da Agência Nacional de Mineração (ANM). “Em 5 de novembro de 2021 eram quase 2.500 pedidos minerários ativos de 570 empresas, associações e cooperativas, sobrepostos a 261 Terras Indígenas no sistema da ANM, cobrindo uma área quase tão extensa quanto a Inglaterra (10,1 milhões de hectares)”, diz o texto. A entidade também colheu relatos em texto e vídeos de povos indígenas como os Xikrin, Kayapó, Munduruku, Waimiri-Atroari, Pataxó, Mura, e comunidades ribeirinhas.
Texto Emerson Medina
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