A privatização dos serviços de água e esgoto em Manaus feita em 2000 não universalizou a oferta de água tratada e esgoto na cidade. Essa é a conclusão do padre Sandoval Alves, que é doutor em Ciências Sociais, autor da tese de doutorado “A Luta pela Água na Amazônia”.
De acordo com ele, quatro empresas já administraram o sistema de água e esgoto de Manaus, mas nenhuma delas, em seus tempos de gestão, não alcançaram as metas traçadas no contrato de privatização.
“Esse contrato previa que a partir do ano 2006, haveria 95% na cobertura de abastecimento de água. Em 2016, já era previsto, segundo as metas previstas no contrato, que a cidade de Manaus já tivesse 98% do território municipal abastecido de água potável. Em relação ao esgoto, a situação é pior, porque em 2006, eles já fizeram a promessa de que 31% da cidade já teria coleta e tratamento de esgoto”, indica o cientista social.

Sandoval Alves é o autor da tese de doutorado “A Luta pela Água na Amazônia”
Na avaliação do padre jesuíta, o Brasil está caminhando na contramão do mundo que já voltou atrás da privatização do sistema de água e esgoto. Ele destaca que nos últimos 15 anos cerca de 250 países decidiram reestatizar o tratamento de água e esgoto.
“Mercado quer lucro. Naqueles lugares onde o mercado verifica que não há retorno financeiro, é lógico que ele não vai investir. É uma incompatibilidade impressionante: direito humano e mercado. E isso a gente pode ver aqui em Manaus durante esses vinte anos de privatização. As regiões mais pobres de Manaus são as regiões que mais têm problema de abastecimento de água”, afirmou o padre e cientista social.
Sandoval defendeu uma gestão pública e participativa do sistema de água e esgoto em Manaus. Segundo ele, a participação social vai trazer mais transparência e obrigar o Estado a prestar contas com a sociedade civil.
Texto: Jefferson Ramos
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