quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Vereadores aprovam moção de aplauso a Bolsonaro por compra de vacinas

Vereadores ignoraram escândalos de corrupção no processo de compra das vacinas e o negacionismo do presidente contra a vacinação. Sassá foi o único vereador contrário.
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Reajuste salarial representa valor real de R$ 127. Foto: Robervaldo Rocha/Divulgação

Na última sessão plenária do ano, os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) aprovaram moção de aplausos a Jair Bolsonaro (PL) pelo empenho do presidente na compra das vacinas contra a Covid-19. A autoria do projeto é do vereador Antônio Peixoto (PTC).

A parabenização foi criticada pelo vereador Sassá da Construção Civil (PT) que lembrou o fato de o presidente não ter se vacinado e ter duvidado da capacidade da vacina. Sassá foi o único parlamentar a votar de forma contrária.

Incomodado, Marcel Alexandre rebateu Sassá dizendo que ele queria manchar a biografia do presidente, que foi o único político a comprar vacinas no país enquanto que, segundo ele, os outros só embolsaram.

No entanto, Marcel não deve ter se atentado que, segundo o que estabelece o Plano Nacional de Imunização (PNI), é o Governado Federal que deve comprar as vacinas e entregá-las, cabendo aos municípios aplicá-las na população.

A moção foi subscrita pelos vereadores Capitão Carpê (Republicanos), Yomara Lins (PRTB), Jaildo dos Rodoviários (PCdoB), Raiff Matos (DC), Luiz Mitoso (PTB), Elan Alencar (Pros), Marcel Alexandre (Podemos) e João Carlos (Republicanos).

Compra de vacinas e escândalos no Governo Bolsonaro

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado revelou que o Governo Bolsonaro pediu propina de U$ 1 para comprar doses da vacina da AstraZeneca junto à uma atravessadora estrangeira. O esquema foi intermediado por militares, religiosos e funcionários do Ministério da Saúde.

Outra revelação da CPI foi de que o Governo Bolsonaro pagaria um preço 1.000% maior pela vacina indiana Covaxin, mais do que seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante. O negócio foi desfeito depois da revelação do colegiado.

Em outubro do ano passado, Bolsonaro desautorizou o então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello a comprar o imunizante da CoronaVac por ser uma vacina de fabricação chinesa. Ainda nos primeiros meses de trabalho da CPI, os senadores mostraram que o presidente Bolsonaro ignorou mais de 70 e-mails de ofertas de doses de vacinas da Pfizer.

Na ocasião, o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo disse que o Governo Federal ignorou três ofertas de vacina para o país ainda em 2020 e que a empresa tinha condições de entregá-las até novembro.

Texto: Jefferson Ramos

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