“Onde existe muita floresta também existe muita pobreza”. Com essa frase o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, abriu o pronunciamento oficial do Governo Brasileiro na principal plenária da Conferência das Partes das Nações Unidas para a Convenção do Clima (COP-26), na noite desta quarta-feira (10), em Glasgow, na Escócia.
A frase foi interpretada por parlamentares brasileiros e ambientalistas como um sinal de que o governo vê a floresta como um problema e que desmatá-la seria uma forma de tirar as pessoas da pobreza. “Essa frase revela que a mentalidade do governo é da década de 70. Desmatar, para eles, é sinônimo de desenvolver”, analisou o deputado Alessandro Molon (PSB/RJ), que está em Glasgow.
Pouco antes da fala do ministro, numa audiência aberta, na apresentação do mais recente Relatório de Avaliação das Políticas Climática e de Prevenção e Controle do Desmatamento, elaborado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA), os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Eliziane Gama (Cidadania-MA) alertaram para a omissão e o desmonte, pelo governo federal, dos mecanismos de proteção ambiental.
O texto também indica que o desmatamento ocorre em todos os biomas do Brasil e é praticado pelos grandes proprietários de terra. O relatório de 2021, sob a relatoria da senadora Eliziane Gama, atualiza a edição do documento organizado por Contarato em 2020 e, segundo ela, é apresentado ao mundo para mostrar a “real cara do Brasil” num contraponto ao discurso oficial do governo Bolsonaro.
A senadora afirmou que o documento identifica os retrocessos na execução da política de preservação ambiental e de mitigação das mudanças climáticas. Entre eles, aponta a substituição de técnicos por militares, motivada por motivos ideológicos e com graves consequências para a preservação do meio ambiente.
Desmatamento
Para Fabiano Contarato, o relatório reúne fatos incontestáveis sobre o desmonte ambiental praticado pelo governo, que teria acabado “de fato” com o Ministério do Meio Ambiente, através do sucateamento dos órgãos de educação e fiscalização competentes.
“O Brasil não cumpriu o Acordo de Paris, com meta de redução de 80% no desmatamento. Não só não reduziu, como aumentou em 145%”, avaliou.
Texto: Gerson Severo Dantas, com informações do portal Metrópoles e agência Senado
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