“O Amazonas sai bem fortalecido da COP26 [Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021] e protagonista de várias agendas discutidas durante o período de negociações na Conferência”. A afirmação é do secretário estadual de meio ambiente, Eduardo Taveira, em entrevista exibida pela TV RealTime1 nesta quarta-feira (10).
Do aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, onde aguardava pela conexão de um voo, Eduardo Taveira conversou com o RealTime1 sobre economia sustentável e o protagonismo do Amazonas no cenário mundial dos assuntos climáticos. O secretário destaca que 2022 será um ano muito positivo para a agenda de geração de renda a partir de serviços ambientais para o Estado do Amazonas.
De acordo com ele, a atual mudança climática no planeta tem muito haver com as escolhas que países ricos fizeram para desenvolver suas economias que, em geral, foram baseadas no uso de combustíveis fósseis mesmo depois da Revolução Industrial.
“As causas que nos levam a esse abismo que a gente vive hoje não foram geradas por países pobres. Por outro lado, nós temos sim a nossa responsabilidade uma vez que os países pobres em desenvolvimento [como o Brasil] têm um duplo desafio que é conservar recursos naturais e encontrar caminhos de crescimento econômico que não esgotem recursos naturais”, avalia o secretário de meio ambiente.
Eduardo Taveira destacou um encontro com a realeza britânica, em que representou o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Representantes de todos os estados brasileiros tiveram uma reunião com o príncipe Charles.
O secretário destacou o apoio que o grupo teve do príncipe ao reinvidicar que cada floresta preservada deveria reverter positivamente nos indicadores de redução da pobreza local. “O príncipe concordou com esse ponto de vista e disse que esse é o caminho que as políticas ambientais deveriam seguir”, lembrou o secretário.
“Por isso que eu acho que há essa mudança no reconhecimento de que países ricos devem financiar países pobres, e países pobres devem assumir suas responsabilidades de aumentar a fiscalização, o controle e encontrar mecanismos para regularizar essas atuações. Isso é um ponto positivo da COP26. Vamos ver agora, nessa última semana das negociações, como isso se transforma num documento que possa nortear o cumprimento da agenda 21 estabelecida durante a COP21 em Paris, em 2015”, enfatizou Eduardo Taveira.
Mercado de Carbono
O membro do secretariado de Wilson Lima falou, também, sobre a situação do mercado de carbono e comparou o Brasil aos Estados Unidos da América (EUA).
“Enquanto os Estados Unidos conseguem vender a tonelada de carbono, florestal ou não, a valores bem acima de 20, 30 e até 40 dólares, a única transação que o Brasil conseguiu efetivar foi no Sul do Amazonas em valores no mercado voluntário de USD 5 dólares, e isso há quase dez anos”.
O secretário explicou ainda que é preciso avançar na legislação, segurança jurídica e mais salvaguardas para que esse mercado de carbono possa florescer, pois temos um estoque muito grande aqui no Amazonas que pode gerar até USD 9 bilhões, quantia suficiente para financiar um novo modelo econômico que, junto com o Polo Industrial pode gerar riquezas e mais floresta”, pontuou ele.
Parceria Alemã para fortalecer o desenvolvimento sustentável no Amazonas
O titular da Sema antecipou ao RealTime1 que, entre o final de novembro e o início de dezembro, o Amazonas estará recebendo o embaixador da Alemanha juntamente com outras figuras internacionais. Na agenda, estará a inauguração do novo prédio da Secretaria de Meio Ambiente e a entrega do prédio do Sistema de Monitoramento Integrado do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Durante esta visita, Eduardo espera o anúncio positivo de uma nova parceria, entre o estado do Amazonas e governo Alemão para fortalecer a agenda do desenvolvimento sustentável na nossa região.
Texto: Isac Sharlon
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