O 15º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), neste último final de semana, marcou de maneira simbólica o retorno de dois ex-filiados que, hoje, são estrelas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19: o presidente, senador Omar Aziz (PSD), e o relator, senador Renan Calheiros (MDB/AL).
Realizado em São Paulo, o Congresso foi batizado de Haroldo Lima e definiu que o partido terá nas eleições do ano que vem um leque plural de alianças e, novamente, a presidência de uma mulher, a deputada Luciana Santos, reconduzida ao cargo.
Omar foi uma das lideranças do PCdoB egressa do movimento estudantil na virada dos anos 70 para a década de 80. Ele ficou no partido entre 78 e 1986, quando disputou seu primeiro cargo público sob as asas do ex-governador Amazonino Mendes.
Em vídeo encaminhado a direção do Congresso, Omar destacou que a realização do encontro era vital nesse momento que o país vive em função de tantas perdas sociais e na própria democracia.
“A luta centenária do PCdoB não pode ser esquecida. Seus dirigentes e militantes são um diferencial, como foi lá atrás, pela redemocratização, pelas Diretas. O Brasil é um país muito grande e o PCdoB é um partido grande, tem história”, disse Omar, lembrando que declarou seu voto pela federação “para que o partido continue tendo, no Congresso, representantes que ouvem as pessoas mais necessitadas desse país”.
Renan Calheiros teve trajetória semelhante a de Omar, tendo começado no partido ainda no movimento estudantil da Faculdade de Direito de Alagoas. Também em vídeo o relator da CPI destacou que o PCdoB tem quase cem anos “de lutas históricas, de dedicação ao Brasil e ao povo, de defesa da democracia e da soberania”.
Calheiros lembrou ainda que na Constituinte, “nossos votos [dos comunistas] aprovaram, entre muitos avanços, o artigo 196 da Constituição, que estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado e assim nasceu o SUS, o mais avançado e generoso sistema de saúde pública do mundo”, justificando a relevância da sigla para a democracia brasileira.
Além dos líderes da CPI, enviaram mensagens o ex-presidente Lula, o ex-ministro Ciro Gomes e o ativista paulista Guilherme Boulos, do PSOL.
A ex-senadora e ex-deputada federal Vanessa Grazziottin foi uma das estrelas do Congresso, tendo participado presencialmente da mesa dirigente dos trabalhos formada só por mulheres, que ocorreram de forma híbrida. Vanessa deve ser candidata a deputada federal no próximo ano.
Texto: Gerson Severo Dantas, com informações da Ascom/PCdoB
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