Depois do nascimento oficial da União Brasil (partido resultante da fusão do DEM e do PSL) que deve se concretizar no próximo dia 6 de outubro, o cenário político brasileiro certamente irá mudar. Para a presidência da República, a “terceira via” tornou-se uma opção cogitável para aqueles que não querem nem Bolsonaro (sem partido) nem Lula (PT) como próximo chefe do executivo brasileiro.
No Amazonas, esse “superpartido” também deve mexer com peças fundamentais do jogo político, definindo parte do cenário que irá ser composto para as eleições de 2022.
O RealTime1 procurou repercutir o tema para saber se a famigerada “terceira via” tem condições de decolar ou se, mesmo tendo como maior representante um partido poderoso, que terá o maior fundo partidário, ainda assim não conseguirá emplacar um nome forte à altura dos candidatos mais votados nas pesquisas, tanto em nível nacional quanto estadual.
Afrânio Soares, presidente da Action Pesquisas de Mercado, disse que a polarização que o país tem vivido dificulta bastante a viabilidade da União Brasil. ”Apesar de haver um mega partido com uma pavimentação da terceira via, eu não sei se ela vai ser forte o suficiente para vingar”.
Para ele, o fato de partidos de direita estarem com Bolsonaro e partidos de esquerda com Lula, acaba deixando uma margem de crescimento muito pequena para quem não se enquadra nessas duas ideologias.
”Quando você vê o que sobra para os outros [partidos] nacionalmente, você vê o Ciro Gomes com 5%, no máximo 8%, o João Dória com 3%”.
O analista político Helso Ribeiro falou em um candidato ”perfumado”, o que poderia indicar que não haverá uma grande novidade, mas sim um nome já conhecido com requintes e sutilezas que destoem dos perfis bolsonarista e lulista com um toque novo para conquistar o eleitor. ”Eu diria que o cenário vai ser botar opositores no liquidificador, misturar e sair um candidato perfumado novo”.
No cenário local, fusão beneficia Amazonino
Para Afrânio, o ex-governador Amazonino Mendes continua sendo aquele que leva a maior vantagem para disputar, mais uma vez, a vaga de governador do estado.
”Essa fusão beneficia o Amazonino, que deve ser o candidato, porque ele goza da amizade e influência do Pauderney. A influência do Pauderney deve maior [que a do deputado delegado Pablo, que é o presidente estadual do PSL]. O Amazonino vai ter um partido que vai ser teoricamente o maior partido nacionalmente falando, e como esse partido já nasce grande, a terceira via pode vir dele sim”, diz Afrânio.
Helso Ribeiro comentou sobre as possíveis mudanças que essa fusão poderá causar e das alianças que podem surgir. O deputado delegado Pablo (PSL), por ser apoiador do presidente Bolsonaro, que já foi da mesma sigla, poderá sair da União Brasil, já que esse partido vem como um nova opção, contrária a Jair Bolsonaro.
Para o analista, o ”Negão”, que está fazendo um resgate histórico de suas obras das gestões passadas, goza de uma certa tranquilidade, por já possuir o favoritismo de Pauderney Avelino, apesar do desgaste físico que pode dificultar a campanha para este senhor no auge de seus 81 anos.
”Pauderney caminhou ao lado de David Almeida na eleição passada, vamos ver como vai ficar. Pablo foi um defensor ardente do Bolsonaro, talvez o maior defensor do presidente aqui no estado. Eu diria que está caminhando para o ex-governador [Amazonino Mendes] ser candidato novamente mas, vamos ver se ele vai ter fôlego”, pondera Helso.
“Aqui em Manaus tem muita rejeição para o Amazonino e no interior vamos ver como vai estar a disposição física dele, principalmente para visitar o interior”, diz o analista.
Texto: João Luiz Onety
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