terça-feira, 22 de setembro de 2026

Inflação desacelera para 0,16% em junho com queda no preço dos alimentos

COMPARTILHE
inflação

A inflação oficial do Brasil desacelerou em junho e fechou o mês em 0,16%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi o menor desde outubro de 2025 e marcou o quarto mês consecutivo de perda de força da inflação.

O principal fator de alívio veio dos alimentos. O grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,24%, exercendo a maior pressão de baixa sobre o índice. A alimentação no domicílio ficou, em média, 0,39% mais barata, primeira deflação desde novembro de 2025. Entre os itens que mais contribuíram para a queda estão café moído, frutas, carnes, açaí, óleo de soja e tomate.

Apesar do alívio mensal, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,64%, ainda acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%. No semestre, o índice acumula alta de 3,36%. O dado veio abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava inflação de 0,32% para junho, conforme o relatório Focus do Banco Central.

A queda dos alimentos tem impacto direto sobre a população de menor renda, que compromete parcela maior do orçamento com supermercado. Mesmo assim, a desaceleração não significa redução ampla do custo de vida. A inflação de habitação subiu 0,63%, pressionada principalmente pela energia elétrica, que avançou 1,53% no mês com manutenção da bandeira tarifária amarela.

Nos transportes, as passagens aéreas subiram 7,12%, enquanto os combustíveis ficaram 0,48% mais baratos. O comportamento desigual dos grupos mostra que o alívio no índice geral não é sentido da mesma forma por todas as famílias. Quem depende de energia, transporte aéreo ou serviços específicos pode ter percebido alta de gastos, mesmo com recuo dos alimentos.

O resultado reforça a complexidade da política econômica. A inflação perde força, mas ainda permanece acima do intervalo desejado pelo Banco Central. Para o consumidor, a pergunta central é se a queda dos alimentos será sustentada ou apenas uma correção temporária depois de altas anteriores.

COMPARTILHE