terça-feira, 22 de setembro de 2026

Pesquisa mostra que inclusão digital no Brasil ainda é feita pela metade

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Imagem: (Freepik)

A inclusão digital no Brasil ainda ocorre de forma incompleta, segundo pesquisa destacada pela Agência Brasil nesta quinta-feira (9). O levantamento indica que o país avançou no acesso à internet, mas ainda enfrenta desigualdades profundas no uso qualificado da tecnologia, especialmente entre grupos de menor renda, idosos, moradores de áreas periféricas e populações com menor escolaridade.

O tema vai além da conexão. Ter acesso a um celular ou pacote de internet não significa conseguir usar serviços públicos digitais, estudar online, proteger dados pessoais, acessar oportunidades de trabalho ou participar de processos de formação. A inclusão digital plena depende de infraestrutura, letramento tecnológico, segurança e capacidade de uso crítico das plataformas.

A pesquisa reforça uma contradição do Brasil contemporâneo: o país digitalizou serviços bancários, documentos, inscrições, benefícios sociais e atendimentos públicos, mas parte da população ainda enfrenta dificuldade para navegar nesses sistemas. Isso cria uma nova forma de exclusão, na qual o cidadão até tem internet, mas não consegue exercer plenamente seus direitos no ambiente digital.

O problema atinge diretamente políticas públicas. Serviços como Gov.br, carteira de trabalho digital, inscrições em programas sociais, agendamentos de saúde, matrículas e consultas tributárias exigem familiaridade com aplicativos, senhas, autenticação e leitura de informações. Para milhões de brasileiros, essa operação ainda depende de terceiros, o que aumenta vulnerabilidade a golpes e perda de autonomia.

O debate também envolve educação. Crianças e jovens conectados não necessariamente desenvolvem competências digitais produtivas. O uso intensivo de redes sociais não substitui habilidades como pesquisa confiável, produção de texto, segurança online, pensamento crítico e uso de ferramentas de aprendizagem.

A inclusão digital precisa ser tratada como política social, educacional e econômica. Sem isso, a tecnologia pode ampliar desigualdades em vez de reduzi-las. O desafio do poder público é ir além da estatística de acesso e medir a qualidade real do uso da internet pela população.

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