A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (SEDUC/AM) transformou a manutenção escolar em uma engrenagem bilionária de difícil compreensão para o cidadão comum, mas cristalina para quem observa o rastro do dinheiro. Conforme detalhado no arquivo Relatorio_Contratos_Manutencao_SEDUC 2019_2026.pdf, a pasta acumula contratos que somam R$ 1,21 bilhão.
Para quem espera que esse recurso signifique escolas de ponta, a realidade dos números é, no mínimo, cruel.
Onde o dinheiro desaparece
A maior parte dessa fortuna é despejada em dois buracos negros: Manutenção Predial e Limpeza e Conservação. Juntas, elas representam mais de 80% de todo o capital movimentado.
Manutenção Predial: R$ 549,2 milhões foram destinados a esta categoria, espalhados em 28 contratos.
Limpeza e Conservação: O custo é de R$ 432,9 milhões, operado por 19 contratos.
O que mais chama a atenção é o objeto “Reparo, adaptação e reforma”. Com 25 contratos, esta categoria absorve R$ 508 milhões. Na prática, a SEDUC-AM mantém um ciclo de reformas interminável que nunca parece satisfazer a demanda da infraestrutura escolar, enquanto o montante investido cresce de forma desproporcional.
A “fidelidade” aos fornecedores
O relatório aponta uma concentração perigosa de poder e dinheiro nas mãos de poucos fornecedores.
Além da dependência de fornecedores únicos, o documento destaca a opacidade administrativa. Nada menos que 17 contratos (22,7% da base) foram encontrados sem a indicação de valor mensal. Isso significa que R$ 115,9 milhões estão circulando em contratos sem o detalhamento básico que qualquer cidadão esperaria de um órgão público.
Por que isso é importante?
Risco de fracionamento: A recorrência de contratos com os mesmos fornecedores acende um sinal de alerta para possíveis artifícios de fracionamento de despesas, burlando a necessidade de processos licitatórios mais rigorosos.
Gestão no escuro: A existência de contratos “ativos” sem o preenchimento de dados essenciais demonstra um desleixo administrativo que beira o escárnio com o contribuinte.
Eternos retornos: O montante de R$ 1,21 bilhão não é um investimento pontual; é um custo fixo que, ano após ano, consome o orçamento que deveria chegar à sala de aula, preferindo a tinta da parede e a limpeza do chão à qualidade do ensino.
O relatório Relatorio_Contratos_Manutencao_SEDUC 2019_2026.pdf não é apenas uma planilha; é o desenho de uma gestão que transformou a conservação predial em uma fonte inesgotável de receita para um grupo selecionado de empresas, enquanto a educação pública amarga as consequências de uma gestão que prioriza o cimento em vez do conhecimento.
Como a sua visão sobre a qualidade das escolas em Manaus se compara com esses números bilionários de manutenção?