terça-feira, 22 de setembro de 2026

Copom decide Selic sob pressão da inflação e cenário externo

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Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta terça e quarta-feira para decidir o rumo da Selic, atualmente em 14,5% ao ano. A reunião ocorre em meio à avaliação de indicadores da economia brasileira e global e deve definir se há espaço para nova queda dos juros ou se a taxa seguirá elevada por mais tempo.

Na reunião anterior, em abril, o Copom reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, por unanimidade. Foi o segundo corte consecutivo, mas em ritmo menor. A justificativa envolveu incertezas sobre conflitos geopolíticos no Oriente Médio e expectativas de inflação em alta por período mais prolongado.

A Selic é a principal referência de juros do país e influencia financiamentos, empréstimos, investimentos, crédito para empresas, consumo das famílias e custo da dívida pública. Por isso, a decisão do Banco Central tem impacto direto no bolso do consumidor e na capacidade de expansão da economia.

O boletim Focus divulgado na segunda-feira indicou previsão de Selic em 13,5% ao ano ao fim de 2026. As expectativas para o IPCA também subiram, de 5,11% para 5,3%, acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.

A decisão desta semana será observada por mercado, governo e setor produtivo. Juros altos ajudam a conter inflação, mas encarecem crédito, reduzem investimentos e dificultam a retomada econômica. Juros baixos, por outro lado, podem estimular atividade, mas ampliam risco inflacionário se o cenário fiscal e externo permanecer pressionado.

A crítica necessária é que política monetária não pode ser discutida apenas como linguagem de mercado. Selic alta aparece no cartão, no financiamento, no capital de giro e no emprego. O Banco Central decide tecnicamente, mas a consequência é social.

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