O neurobiólogo italiano Stefano Mancuso afirmou que a crise climática é o maior desafio já enfrentado pela humanidade. A declaração foi feita durante a inauguração do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ e da Galeria VÃO, no Rio de Janeiro. Para o cientista, o problema não é uma crise passageira nem um ciclo natural superável.
Mancuso criticou a tendência humana de se colocar no centro de tudo e ignorar a dependência em relação às plantas e aos demais seres vivos. Ele também atacou o negacionismo climático, afirmando que tratar ciência como opinião é um erro grave, especialmente diante de dados consolidados sobre aquecimento global.
Como medida prática, o pesquisador defendeu a renaturalização das cidades. Segundo ele, administrações municipais devem retirar parte do asfalto e ampliar a presença de vegetação, sob pena de enfrentar no futuro medidas emergenciais mais caras e com maior custo humano.
O cientista também citou antigas civilizações da Amazônia como exemplo de convivência entre urbanização e floresta. Para ele, esses povos demonstraram que é possível construir espaços habitáveis sem destruir a biodiversidade.
A crítica é direta: cidades brasileiras ainda tratam árvore como enfeite, rio como vala e calor extremo como azar climático. A ciência já avisou. O atraso está na política urbana, que continua apostando em concreto, impermeabilização e remoção de áreas verdes. Em Manaus e em outras capitais amazônicas, o alerta é ainda mais urgente: viver na floresta e planejar como se ela fosse obstáculo é contradição cara demais.