O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou aumento de 138% na distribuição de medicamentos para apoiar pessoas que desejam parar de fumar. Segundo o Ministério da Saúde, o volume passou de 19,5 milhões de itens em 2022 para 46,6 milhões em 2025. A assistência farmacêutica envolve cinco itens essenciais para suporte aos pacientes em tratamento contra o tabagismo.
A ampliação foi divulgada no contexto das ações relacionadas ao Dia Mundial Sem Tabaco. A disponibilização dos medicamentos é coordenada pela área de ciência, tecnologia e inovação em saúde do Ministério da Saúde.
O tabagismo segue associado a câncer, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas e mortes evitáveis. Por isso, ampliar acesso a tratamento é uma medida de saúde pública com impacto direto na redução de internações, gastos hospitalares e mortalidade.
A política é especialmente importante para pessoas de baixa renda, que muitas vezes dependem exclusivamente do SUS para acompanhamento, medicamentos e apoio multiprofissional. Parar de fumar não é apenas questão de força de vontade. Dependência química exige tratamento, orientação, acolhimento e continuidade.
A crítica é que distribuição de medicamentos precisa vir acompanhada de rede organizada. O paciente precisa saber onde procurar ajuda, ter acompanhamento nas unidades básicas, acesso regular aos itens e suporte psicológico quando necessário. Sem isso, o tratamento pode começar e ser interrompido por falhas de abastecimento ou falta de acompanhamento.
Também é preciso enfrentar novas formas de dependência, como cigarros eletrônicos e dispositivos de nicotina, que avançam especialmente entre jovens. O SUS ampliar tratamento contra o tabaco é positivo; o próximo passo é impedir que uma nova geração seja capturada por produtos vendidos como modernos, mas sustentados pela mesma lógica de dependência.