A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP) informou que o Amazonas adotou a suspensão temporária da estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan. A medida segue orientação do Ministério da Saúde e foi tomada de forma preventiva após avaliação conjunta com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A decisão ocorreu depois do registro de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Desse total, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. A identificação dos episódios ocorreu por meio da farmacovigilância, sistema de monitoramento da segurança de vacinas e medicamentos usados no SUS.
No Amazonas, segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a vacina estava sendo ofertada a profissionais da Atenção Primária à Saúde. O estado recebeu 25.580 doses, das quais 5.780 já foram aplicadas. Foram notificados 84 eventos supostamente atribuídos à vacinação ou imunização, sem óbito relacionado ao imunizante no Amazonas.
A gerente de Imunização da FVS-RCP, Angela Desirée, informou que as coordenações municipais de imunização vão monitorar 916 pessoas vacinadas nos últimos 21 dias. O acompanhamento busca identificar possíveis reações adversas e garantir assistência aos vacinados.
O Ministério da Saúde reforçou que a suspensão atinge apenas a vacina do Butantan e não inclui a Qdenga, produzida pela Takeda e aplicada no SUS. A pasta também afirmou que a decisão não invalida a eficácia do imunizante do Butantan, mas dá tempo para investigação dos casos.
A medida é prudente, mas exige comunicação clara. Em saúde pública, suspender temporariamente não significa alimentar medo contra vacinas. Significa monitorar, investigar e proteger a população com base em evidências. O risco é que a cautela técnica seja explorada por desinformação antivacina.