quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Projeto leva tratamento contra doença negligenciada na Amazônia

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Um projeto conduzido na Região Norte está oferecendo diagnóstico e tratamento gratuito para pacientes com lobomicose, doença rara e negligenciada também conhecida como Doença de Jorge Lobo. A iniciativa acompanha 104 pacientes nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia e integra assistência, pesquisa clínica e produção de evidências para apoiar futuras diretrizes no Sistema Único de Saúde.

A lobomicose é endêmica da Amazônia Ocidental e provoca lesões nodulares semelhantes a queloides em partes do corpo como orelhas, braços e pernas. Além dos sintomas físicos, a doença costuma gerar impacto psicológico relevante, por atingir a aparência e provocar estigma social. Em muitos casos, pacientes se afastam do trabalho e do convívio comunitário.

O projeto é conduzido pelo Einstein Hospital Israelita em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, do Ministério da Saúde. Segundo a Agência Brasil, mais de 50% dos participantes apresentaram melhora das lesões.

O tratamento utiliza o antifúngico itraconazol, disponível no SUS, com doses ajustadas conforme cada paciente. A iniciativa também leva diagnóstico a áreas remotas, com biópsias, exames laboratoriais no território, acompanhamento clínico e cirurgias em casos selecionados para retirada de lesões.

O infectologista e patologista clínico João Nobrega de Almeida Júnior afirmou que equipes locais participam da identificação, diagnóstico e tratamento dos pacientes. Ele destacou que a geografia amazônica impõe barreiras importantes, já que muitas comunidades ribeirinhas são distantes e de difícil acesso. O acompanhamento ocorre a cada três meses, com apoio de centros de referência em Rio Branco, Manaus e Porto Velho.

A relevância do projeto vai além do atendimento individual. Doenças negligenciadas costumam receber menos investimento, menos visibilidade e menos protocolos consolidados, especialmente quando afetam populações isoladas. Ao combinar assistência e pesquisa, a iniciativa pode ajudar a transformar uma resposta pontual em política pública permanente, desde que os resultados sejam incorporados pelo SUS e financiados de forma contínua.

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