quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Dia da Cachaça: aguardente saborizada ganha mercado no Amazonas

Produção dos sabores tem base em itens regionais. Processo pode demorar até seis meses para ser concluído. Empresário anuncia produção de licores para o próximo ano.
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Nesta segunda-feira (13) é comemorado o Dia Nacional da Cachaça, bebida produzida a partir da destilação da cana de açúcar. Seja na composição tradicional ou derivada, com sabores exóticos, por exemplo, a aguardente tem o lugar de destaque garantido nos principais estabelecimentos do segmento de bebidas. Nos últimos quatro anos, o produto ganhou novas características com a saborização à base de itens regionais como o jambu e o cumaru.

O gastrônomo e especialista em tecnologia de alimentos, Cadu D’Almeida, criou a saborização da cachaça em 2017, em sala de aula, na faculdade. Após testes com a cachaça, jambu, cupuaçu e jenipapo, concluiu que a receita que deu mais certo foi a que utilizou o jambu. Foi quando ele decidiu investir em pesquisas de novos sabores e criou a empresa Mucho Gusto Sabores .

Atualmente, o profissional produz cachaças com sabores de banana, canela, coco, cumaru e jambu.

Segundo D’Almeida, a bebida tem boa aceitação pelos amazonenses, mas a demanda foi afetada, assim nos demais setores econômicos, pela pandemia da Covid-19. Ele conta que no último ano a procura pela bebida reduziu em 70% em relação aos anos anteriores.

“Há demanda para o produto. Mas, a pandemia atrapalhou muito, além do aumento dos preços. A cachaça vinha de Minas Gerais, mas com o aumento no valor do frete precisei encontrar um produto de boa qualidade no comércio local. Com todos os entraves não elevei o valor do produto final”, relatou o empresário.

Fabricação  

O processo para a produção da bebida com sabor pode durar até seis meses. A aguardente passa pelas seguintes etapas: a cachaça permanece em descanso no prazo de 24 a 48 horas, limpeza da matéria-prima (fruta), maceração (quando é feita a mistura da cachaça com a matéria-prima e o recipiente é vedado)-após esse processo o produto aguarda por 90 dias, em seguida é feita a coagem, e logo após, o líquido volta ao recipiente. A última etapa é a prova da bebida para verificação do sabor.

“A produção mais rápida é a que utilizamos a banana. A mais demorada é a de canela e a de cumaru”, explicou o empresário.

Novidade em 2022

Cadu D’Almeida adiantou que prepara novidades para o próximo ano, quando ele acredita que a conjuntura econômica estará mais favorável. Ele trabalha no desenvolvimento de licor de cupuaçu, canela, pimenta e café.

“Já estamos trabalhando para que a produção deixe de ser artesanal e seja industrial, tudo local”, contou.

Texto: Priscila Caldas

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