O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu suspender, por 45 dias, sem direito a salário, o auditor Alexandre Figueiredo Marques, por ele ter produzido um relatório paralelo que indicava uma suposta supernotificação de mortes por Covid-19 no Brasil ao longo de 2020. O documento foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para atacar governadores.
A punição foi sugerida pela comissão que comandou o processo administrativo disciplinar contra o servidor e acatada pelo secretário-geral de Administração do TCU, Lúcio Flávio Ferraz, a quem cabe aplicar penas a servidores inferiores à demissão. No caso de demissão, a competência é da presidência da Corte.
A decisão foi publicada no diário oficial do TCU desta segunda-feira (13). O servidor poderá ainda recorrer ao plenário da Corte para tentar reduzir a suspensão.
Alexandre Figueiredo Marques foi ouvido pela CPI da Covid-19 do Senado em agosto e admitiu ter produzido relatório paralelo, mas com o objetivo de abrir uma discussão em um grupo de trabalho de auditores, mas a ideia não prosperou. O servidor do TCU também contou aos senadores que teria sido o pai dele, Ricardo Silva Marques, o responsável por enviar o documento a Bolsonaro.
Ricardo Marques é colega de turma do presidente na Academia Militar das Agulhas Negras (Amam) e por afinidade ideológica com ele repassou o relatório produzido pelo filho.
Texto: Gerson Severo Dantas, com informações do portal Metrópoles
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