O Senado debateu em sessão temática, nesta sexta-feira (10), os resultados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU. Os dados, segundo os debatedores, são preocupantes e apontam que o planeta deve aquecer pelo meio 1,5º C nas próximas duas décadas. O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que essa é uma discussão urgente acima de premissas ideológicas.
Uma das debatedoras do dia, a líder indígena amazonense Samela Sateré-Mawé falou sobre mudanças climáticas e disse que é impossível pensar a Amazônia sem levar em consideração os povos tradicionais da floresta.
“Somos os principais defensores da natureza. Não dá para pensar numa Amazônia viva, em pé e sustentável sem levar em conta os povos indígenas”, afirmou direto do acampamento das mulheres que participam da Marcha das Mulheres Indígenas, Mulheres Originárias pelo Reflorestamento de Mentes.
A marcha tem o objetivo de denunciar as mais de seis mil agressões físicas e mentais sofridas por mulheres indígenas de diversas etnias em todo o Brasil.
Em outro ponto da intervenção dela, Samela disse que é preciso proteger os jovens indígenas, que são o grupamento mais atuante na luta pela preservação e, portanto, soldados contra as mudanças climáticas.
Antes da líder amazonse, falou direto de Oslo a ativista Greta Thunberg, que atribuiu ao governo brasileiro a responsabilidade pela proliferação de queimadas na Amazônia, que agravam as mudanças climáticas, e a morte dos povos indígenas.
“Não estou em posição de dizer o que devemos fazer, pois sou de uma região que tem responsabilidade enorme por essa crise das mudanças climáticas”, afirmou Greta preliminarmente, antes de dizer que o país dela, a Suécia, adotou uma escola moderna de defesa do meio ambiente e de apoio aos povos indígenas. “O Brasíl, de fato, não começou essa crise, mas acrescentou gasolina a esse incêndio e aí chegamos no limite da capacidade do planeta”, completou.
Para a ativista, o governo brasileiro cumpre um papel vergonhoso ao favorecer as queimadas na Amazônia, quando deveria estar liderando o mundo na luta para retomarmos as metas do Acordo de Paris. “O Brasil, por conta das queimadas na Amazônia, está emitindo mais carbono do que consome. Isso é grave”, disse.
Texto: Gerson Severo Dantas
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