quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Com Bolsonaro preso, filhos e Michelle travam guerra pelo comando do bolsonarismo

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Michelle discursa em ato pró-anistia do 8 de Janeiro, junto a Bolsonaro (a partir da esquerda), Carlos, Flávio e Jair Renan (Foto: Miguel Schincariol)

A prisão de Jair Bolsonaro, há uma semana, abriu uma disputa interna que já não se esconde mais. Na madrugada desta terça-feira (2/12), Michelle Bolsonaro entrou em confronto direto com Flávio, Carlos e Eduardo, assumindo a crise que divide o clã e o PL em plena indefinição sobre quem herda o comando do bolsonarismo.

A ex-primeira-dama rebateu acusações, chamou para si o discurso moral e expôs o que considera ser uma tentativa dos enteados de controlar o espólio político do pai enquanto ele está recolhido na Superintendência da Polícia Federal.

Michelle reagiu duramente às críticas — especialmente às declarações de Flávio, que disse que ela “não é política” e que deveria entender “como decisões são tomadas”, comentário classificado como misógino por aliados.

Mesmo afirmando que “não responderia aos enteados”, ela publicou uma longa nota e passou a madrugada pontuando divergências, deixando claro que não pretende recuar.

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Guerra aberta no clã e pressão sobre o PL

A disputa ganhou força após Michelle rejeitar a aliança articulada no Ceará entre André Fernandes e Ciro Gomes, acordo que teria sido avalizado pelo próprio Bolsonaro.

Ela justificou dizendo que não apoiaria alguém que, segundo ela, “atacou o marido” e “alimentou a narrativa que o rotulou como genocida”. A ex-primeira-dama também publicou vídeos com falas de Ciro contra o clã e lembrou ações que, na visão dela, prejudicaram Bolsonaro.

No texto divulgado na madrugada, Michelle subiu o tom e reforçou sua estratégia: ocupar o espaço do eleitorado feminino e se apresentar como guardiã dos “valores” do bolsonarismo. Disse que, antes de política, é “mulher, mãe e esposa”, e que jamais negocia seus princípios.

O recado foi endereçado aos enteados e aos dirigentes do PL, que se reúnem em caráter urgente para discutir o racha interno.

Michelle ainda comparou a aliança rejeitada a uma troca entre “Stalin e Lenin”, retomando o discurso de que derrotar o PT sem manter “coerência moral” seria inaceitável.

Ao mesmo tempo, pediu “perdão” aos enteados, mas reforçou que não mudará de posição “ainda que essa fosse a vontade do Jair”.

A madrugada terminou com novo aviso: ela afirmou que seguirá firme e que “jamais negociará seus valores”, encerrando uma sequência de postagens que escancarou a guerra pelo comando político da direita enquanto Bolsonaro permanece atrás das grades.

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