domingo, 1 de novembro de 2026

O real poder do perdão

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Doutor e Mestre em Engenharia de Produção pela USP com pós-graduação em Marketing pela ESPM. Consultor nas áreas de Gestão de Projetos, Gestão da Inovação, Gestão do Conhecimento, Capital Intelectual, Gestão de Pessoas e Lições Aprendidas.

Certa vez, acompanhei meu pai a uma missa em Ação de Graças pelo aniversário da empresa de um saudoso amigo dele.

Gerenciada por um de seus filhos, ele recebera o convite do qual muito o honrou.

Marcada para começar por volta das 8:00, já estávamos no local em torno das 7:25.

Chegar com certa antecedência aos compromissos é algo que, certamente, herdei dele.

Ao adentrar a capela que abrigaria a missa, apenas os integrantes do coral estavam presentes.

Ficamos lá sentados na segunda fileira ouvindo o último ensaio.

Após trocarmos algumas palavras, outros convidados começaram a chegar.

Sobre um deles, que vestia uma camisa grená, meu pai fez um breve comentário: “Este aí já me aprontou uma, você nem queira saber”.

Antes que conseguisse perguntar qual o nome dele, as chegadas de outras pessoas acabaram tirando minha atenção.

Como previsto, o espaço só encheu muito próximo ao horário previsto para o início do culto.

Contando com um padre, que me pareceu bem jovem, a missa seguiu seu rito.

Ao chegar à parte da comunhão, acompanhei meu pai para receber a hóstia.

De volta aos nossos lugares, meu pai logo se levantou em direção ao anteriormente citado senhor de camisa grená.

Falou por alguns minutos com ele e logo estava de volta ao meu lado.

Não demorou muito para que a missa se encerra-se.

Antes de seu término, no entanto, o filho do fundador da empresa, seu amigo, agradeceu o comparecimento de alguns presentes, dentre eles, meu pai, o destacando como um amigo de longa data.

Notei discretamente seu sorriso de satisfação na lateral da sua boca.

Missa encerrada, nos dirigimos ao carro e partimos de volta para casa.

Suas primeiras palavras foram de agradecimento a mim, por ter o levado a missa.

Como se isso fosse necessário.

Em seguida, destacou “não sabia que era tão gostado, ainda mais sabendo que não ocupo mais nenhum cargo”.

Não demorei para perguntá-lo o que ele teria ido falar com aquele senhor de camisa grená pouco após a comunhão.

Antes de me responder ele pontuou que tivera vivido uma experiência não muito boa com o mesmo já fazia mais de 15 anos e que, desde então, jamais tiveram a oportunidade de voltar a se falarem.

Em seguida pontuou o teor de sua conversa. Meu pai disse: “… sei que tivemos alguma desavença no passado e confesso nem saber mais qual motivo, mas vamos deixar isso de lado, pois o nosso silêncio mútuo não nos faz e a ninguém.”

Era notório ver o quanto ele me pareceu feliz

Pois é…

O perdão não tem prazo de validade e faz um bem.

Que Deus me ilumine a ponto de conseguir aprender com mais esta lição paterna.

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