Enquanto a COP30 avança entre protestos e reuniões multilaterais, a cidade torna-se parte central da programação dos visitantes, atraindo atenção pela oferta cultural e por iniciativas que apresentam a sociobioeconomia amazônica ao público.
A Associação dos Negócios da Bioeconomia Amazônica (Assobio), em parceria com o Governo do Pará, estruturou 11 experiências rápidas destinadas a turistas interessados em conhecer negócios que geram renda e mantêm relações diretas com comunidades que vivem da floresta.
A venda dos roteiros está sendo realizada pela Vivalá, integrante do portfólio da Amaz Aceleradora de Impacto, coordenada pelo Idesam.
Os passeios têm duração entre 1 e 7 horas, variam conforme o local e o horário de saída e incluem visitas a empresas que trabalham com cadeias produtivas da região, como Manioca, Da Cruz, Meu Garoto, Blaus, Da Tribu, Filha do Cumbu, Uruçun, AMZ Tropical, Cacauaré e Jucarepa.
As experiências foram criadas para o período da conferência, mas devem permanecer disponíveis nos próximos anos como parte do legado da COP30.
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Segundo Daniel Cabrebra, cofundador e diretor-executivo da Vivalá, a iniciativa aproxima visitantes da rotina amazônica.
“Ser escolhido pela Assobio e pelo Governo do Pará para produzir este programa foi uma grande honra para a gente e está diretamente ligada à nossa missão de aproximar as pessoas de experiências reais, conectando, na COP, tomadores de decisão com a realidade do dia a dia da Amazônia”, afirmou.
Os valores variam de R$ 50,00 a R$ 560,00 por pessoa. A lista completa de roteiros está disponível no site da Vivalá, com datas e horários de cada saída.
A rota do tucupi com a Manioca
Entre as opções, uma das vivências apresenta o percurso do tucupi e da farinha produzidos pela Manioca. A mandioca, base alimentar de populações indígenas, ribeirinhas e urbanas do Norte, é também matéria-prima de uma das cadeias produtivas mais consolidadas da região. Com 21% da produção nacional, Belém é o maior produtor do tubérculo no país.
No roteiro, visitantes conhecem a história da mandioca e sua ligação com o tucupi, além dos usos tradicionais que atravessam gerações.
A experiência mostra como esse ingrediente, produzido há séculos pelos povos da floresta, se integra ao modelo econômico baseado em produtos da sociobiodiversidade.
Joanna Martins, fundadora da Manioca, resume a atuação da empresa. “A Manioca é uma indústria de impacto socioambiental que transforma ingredientes da biodiversidade amazônica em alimentos das nossas tradições”, explica.
“Fazemos tucupi, molho de pimenta, farinha e farofa, produtos ligados à origem amazônica. Nosso impacto começa no econômico, gerando renda para comunidades tradicionais, mas também é cultural e social, porque damos luz aos ingredientes da região e ajudamos o Brasil a conhecê-los. No fim, isso também é impacto ambiental: quando valorizamos nossa culinária e geramos desenvolvimento, fortalecemos quem vive no território e ajudamos a preservar a floresta”, afirma.
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