O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) marcará presença na 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) participando de debates sobre proteção e monitoramento da Amazônia, impactos climáticos, biodiversidade, agricultura sustentável, soluções de baixo carbono e justiça climática.
Mais de 20 cientistas do Inpa participam da COP 30 e de eventos paralelos, de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA), em painéis, mesas-redondas, diálogos, exposições e lançamento de livros.
Como instituição de ciência, tecnologia e inovação, a principal contribuição do Inpa à posição brasileira nas negociações da COP 30 são os estudos e pesquisas sobre a interação entre floresta e clima, segundo o diretor do Inpa, Henrique Pereira. Com 70 anos de trajetória científica na Amazônia e referência mundial em estudos da biodiversidade amazônica, ecossistemas e mudança do clima, o Inpa atua como fonte de informação científica para subsidiar decisões e políticas públicas.
“Como maior organização científica dedicada ao estudo das florestas tropicais da Amazônia, o Inpa informa e subsidia as autoridades brasileiras sobre o estado da arte do conhecimento sobre o papel das florestas tropicais, especialmente da Amazônia, como um sistema essencial para o equilíbrio climático global, além de apontar como as mudanças climáticas vêm afetando a biodiversidade”, destacou Pereira.
Confira a programação do Inpa:
Contribuição do Inpa na COP30
De acordo com o pesquisador Philip Fearnside, o Inpa leva à COP evidências científicas que reforçam a importância de proteger a Amazônia, destacando que os dados produzidos no instituto são um alerta para o futuro do planeta.
“O Inpa tem muitos resultados sobre a vulnerabilidade da floresta amazônica às mudanças climáticas previstas e a magnitude das emissões de gases de efeito estufa se a floresta colapsar, indicando a urgência de controlar as emissões globalmente, e para o Brasil parar o desmatamento, a degradação da floresta e o uso de combustíveis fósseis”, ressaltou.
O pesquisador do Inpa, Carlos Alberto Quesada, ressalta o papel fundamental da ciência para lidar com as questões das mudanças climáticas. Quesada coordena dois importantes empreendimentos científicos em cooperação internacional que usam torres na maior floresta tropical do mundo e estão instaladas em bases de apoio à pesquisa do Inpa.
Um deles é o AmazonFACE (Brasil/Reino Unido), experimento científico que busca compreender como a Amazônia vai se comportar frente o aumento de gás carbônico na atmosfera dado os efeitos das mudanças climáticas em curso, e o outro é o Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês para Amazon Tall Tower Observatory).
O projeto ATTO (Brasil/Alemanha) é a maior torre (325 metros de altura) de monitoramento climático do mundo.

Projeto ATTO. Foto: Acervo MCTI
“Não tem como lidar com um problema dessa magnitude sem o conhecer bem e aqui na Amazônia, num sistema tão complexo, de múltiplas amazônias e ambientes dentro desse bioma”, pontuou Quesada. “E o Inpa é fundamental nesse processo, porque tem uma tradição gigantesca e de longo prazo atuando para entender o funcionamento desse ecossistema e como é afetado pelas mudanças climáticas. Dessa forma, conhecendo os impactos, podemos entender o risco que estamos enfrentando e pensar em novas trajetórias mais eficientes e estratégicas”, completou.
Rede científica integrada
A participação do Inpa na COP30 também evidencia o papel da instituição em redes científicas e em projetos colaborativos com centros de pesquisa da América do Sul e da Europa. Nas ações da Rede Bioamazonia, iniciativa que reúne os principais institutos de pesquisa e inovação em biodiversidade do bioma amazônico, o Inpa coordena na COP o eixo “Conflitos e ameaças da biodiversidade”, voltado a compreender as pressões sobre a conservação na Pan-Amazônia.
A programação da Rede que busca fortalecer a cooperação científica a sustentabilidade com foco na bioeconomia da Amazônia inclui oito eventos temáticos distribuídos entre os quatro eixos de atuação, além de exposição fotográfica “Amazônia a olhos vistos sobre os impactos e soluções” e lançamento de obra “Caminhos para a ciência pan-amazônica”, produzido pela Editora Inpa.
Outra importante participação do Inpa é nas atividades do Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA), iniciativa que reúne cientistas do Brasil e da França. Como instituição que ocupa a direção nacional do Centro, o Inpa participará dos debates nos pavilhões brasileiro e francês da Zona Azul, além do MPEG, reforçando a cooperação científica binacional e a importância da Amazônia para o enfrentamento das mudanças climáticas.
“Nossa expectativa é garantir uma presença numerosa e de qualidade nos debates promovidos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e pelos parceiros. Esta é a COP no Brasil e na Amazônia, e todo o esforço tem sido feito para garantir uma participação à altura da importância da região”, destacou diretor do Inpa.
Cooperação internacional
A participação do Inpa na COP30 reflete o compromisso da instituição em ocupar espaços estratégicos de debate e decisão, liderando uma voz da ciência amazônica ao centro das discussões globais sobre o clima. O diretor destaca ainda que a presença do Inpa se estenderá a outras parcerias de relevância nacional e internacional. O Instituto também participará de eventos promovidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), com debates sobre infraestrutura e impactos socioambientais, além de contribuir com discussões sobre bioeconomia, área emergente na qual o Inpa tem acumulado resultados significativos de pesquisa.
A COP30, em Belém (PA), marcará a primeira edição do evento realizado no Brasil e mais especificamente na Amazônia. A Conferência vai reunir delegações de países, em um encontro que será decisivo para avaliar o progresso dos compromissos reforçados no Acordo de Paris e fortalecer as ações globais de enfrentamento à crise climática, consolidando a Amazônia como protagonista nas discussões sobre o futuro do planeta.
Primeira etapa da jornada
A primeira parte da comitiva do Inpa embarcou na terça-feira (04), na Jornada COP30, uma mobilização reunindo lideranças comunitárias, movimentos sociais e instituições públicas para construir planos de ação climática baseados na realidade das comunidades amazônicas.
O diretor do Inpa, Henrique Pereira, a diretora substituta, Sônia Alfaia, e a coordenadora de Ações Estratégicas, Regina Oliveira, integram a expedição a bordo do barco Banzeiro da Esperança, a convite da Fundação Amazônia Sustentável (FAS).
Fonte: Ascom/Inpa