terça-feira, 22 de setembro de 2026

Esgoto a céu aberto em Belém será a vitrine para líderes mundiais durante a COP30

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém (PA), “não será a COP do luxo, mas a COP da verdade”. Porém, os indicadores sociais da capital paraense apontam uma realidade mais dura: a cidade que receberá líderes mundiais para discutir o futuro do planeta convive diariamente com miséria, falta de saneamento e desigualdade extrema.

Há uma década, a cidade tem se mantido como uma das 20 piores do país no Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil (ITB).

De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), menos de 20% dos moradores de Belém têm acesso à rede de esgoto — um dos piores índices entre as capitais brasileiras.

Em muitos bairros, o esgoto corre a céu aberto e as enchentes são parte da rotina durante o inverno amazônico.

Estudo do Instituto Jones dos Santos Neves mostra que 36% da população da Região Metropolitana de Belém vive em situação de pobreza, o que equivale a mais de 800 mil pessoas.

Além disso, 10% dos habitantes estão em áreas de risco de alagamento e inundações, reflexo do crescimento urbano desordenado e da falta de infraestrutura.

Enquanto o governo federal defende a escolha de Belém como símbolo da Amazônia e palco da conferência climática, especialistas veem o evento como uma vitrine desconectada da realidade local.

“Belém não está preparada. Falta saneamento, transporte público eficiente e estrutura urbana básica. O que se mostrará ao mundo é o contraste entre o discurso verde e a pobreza cotidiana”, afirma a urbanista Luciana Araújo, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Nos últimos meses, obras emergenciais e projetos de revitalização foram anunciados para tentar adequar a cidade ao evento. No entanto, moradores relatam que as intervenções se concentram nas áreas turísticas e centrais, deixando bairros periféricos de fora. “Aqui o esgoto continua correndo na frente das casas.

A COP pode até vir, mas a miséria vai continuar”, diz Maria da Conceição, moradora do Guamá.

Para o presidente Lula, o evento em Belém tem um sentido simbólico: “É preciso mostrar ao mundo o que é a Amazônia e o que é o Pará”, declarou.

Mas, diante dos dados e das condições urbanas da capital, a “COP da Verdade” prometida pelo governo corre o risco de se transformar na “COP da Miséria” — uma conferência global cercada por discursos sustentáveis e ruas alagadas.

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