quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Black Friday enfraquece vendas natalinas, afirma presidente do Sindivarejista

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A Black Friday é considerado a segunda data mais importante do varejo nacional, atrás apenas do Natal

A Black Friday tem prejudicado as vendas de fim de ano no Brasil e, em especial, no Amazonas. A avaliação é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Amazonas (Sindivarejista-AM), Teófilo Gomes da Silva Neto que, em entrevista ao RealTime1, afirmou que a data, adaptada do modelo americano, compromete o desempenho do setor no mês de dezembro.

A Black Friday ocorrerá no dia 28 de novembro de 2025. A ação promocional acontece tradicionalmente todos os anos, na 4ª sexta-feira do mês de novembro.

“Na minha opinião, a Black Friday tira um pouco do mercado de fim de ano. Nos Estados Unidos, o objetivo é desovar estoques antigos e abrir espaço para o Natal, mas aqui a realidade é outra. Muitas vezes as empresas dão descontos sem poder, o que gera distorções e prejudica as vendas do período natalino”, afirmou.

De acordo com o dirigente, as diferenças de logística e de custos entre o Brasil e os Estados Unidos tornam a estratégia pouco adequada para o varejo local. “A estrutura lá é incomparável. No Amazonas, além da mercadoria, o empresário estoca imposto e frete. Isso torna a competição ainda mais difícil”, disse.

Além da crítica à Black Friday, Teófilo destacou os desafios do setor no Amazonas. Ele explicou que o varejo precisa se planejar com meses de antecedência, o que exige recursos imobilizados antes mesmo da alta temporada.

Também ressaltou que a categoria enfrenta problemas tributários. “A Sefaz trabalha com margens de valor agregado que muitas vezes não refletem a realidade. Se o produto é vendido por menos do que foi estimado, o Estado não devolve a diferença”, afirmou.

O presidente também falou sobre o papel dos sindicatos nas negociações coletivas. Ele disse que o Sindivarejista tem conseguido manter um bom diálogo com representantes laborais e que as convenções já definiram o piso salarial e benefícios para motoristas e trabalhadores do setor de gêneros alimentícios. Em Manaus, o valor do auxílio-alimentação ficou em R$ 20.

Segundo Teófilo, o trabalho sindical se estende ao interior, onde a dinâmica ainda é diferente da capital, com parte do comércio fechando para o almoço.

Ele destacou, no entanto, que empresas com filiais nos municípios seguem os acordos estabelecidos em Manaus. “Nosso relacionamento tem sido muito bom com os sindicatos laborais. O diálogo aqui não para, o ano inteiro estamos conversando”, concluiu.

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