O líder do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara Federal, deputado Ricardo Barros (PP-PR), passou oficialmente à condição de investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado Federal.
A informação foi revelada pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB/AL), ao chegar nesta quarta-feira (18) para o depoimento do advogado Túlio Silveira, representante legal da Precisa Medicamentos.
“Pelo conjunto da obra, pela Covaxin, pela Belcher, e por outras informações que temos de empresas que tentaram vender vacinas, o Ricardo Barros se tornou hoje oficialmente um investigado”, declarou Renan.
Líder é suspeito de intermediar venda de vacinas
Líder do governo, Ricardo Barros é suspeito de intermediar a venda de vacinas pela Precisa Medicamentos e pelo Laboratório Belcher, que tentou vender a vacina Convidecia, produzida pela farmacêutica chinesa CanSino Biologics.
Tanto a Precisa quanto a Belcher são consideradas empresas atravessadoras de vacinas, que tiveram a preferência na negociação com o Ministério da Saúde ao passo que a Pfizer e o Instituto Butantan ficaram em segundo plano.
A Precisa Medicamentos assinou um contrato para a venda de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech, em 20 de fevereiro, no valor de R$ 15 bilhões. A suspeita é de que a empresa paranaense conseguiu um sobrepreço de 50% e negociou receber todo o valor do contrato adiantado e na conta de uma empresa instalada no paraíso fiscal de Singapura.
De acordo com Renan Calheiros, o líder do governo Bolsconaro intermediou a venda de vacinas se utilizando dos contatos dele com o ex-diretor de Logística do ministério Roberto Ferreira Dias, nomeado para o cargo ainda na gestão de Henrique Mandetta.
Barros prestou depoimento na CPI no último dia 12 na condição de convidado por ser deputado federal, mas irritou os senadores ao acusá-los de atrapalhar a negociação de vacinas. “Atrapalhamos a compra da vacina que vocês queriam, negociadas com pilantras”, reagiu o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD), encerrando o depoimento do líder do governo e chamando para a análise dos colegas para reconvocá-lo na condição de investigado.
Texto: Gerson Severo Dantas
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