Um levantamento realizado pela Ipsos-Ipec revela que 43% dos brasileiros avaliam como inadequada a escolha de Belém (PA) para sediar a COP30, marcada para novembro.
Para esse grupo, a conferência deveria ocorrer em uma cidade com melhor infraestrutura, ainda que fora da Amazônia.
Apesar da rejeição nacional, a percepção muda quando a análise se restringe às regiões Norte e Centro-Oeste. Nesses locais, 43% defendem a realização do evento em Belém, contra 38% que prefeririam outra sede.
Já nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, a avaliação acompanha a média nacional.
O grau de informação sobre a COP também influencia a opinião dos entrevistados. Entre aqueles que dizem conhecer bem a conferência, há praticamente um empate: 49% apoiam Belém, enquanto 47% desaprovam. Já entre os menos informados, 40% consideram a escolha equivocada e apenas 27% avaliam como correta.
O estudo, divulgado nesta segunda-feira (15/09) e realizado entre os dias 4 e 8 de setembro em 132 municípios, ouviu duas mil pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Crise de hospedagem e infraestrutura
A pesquisa foi divulgada em meio às dificuldades enfrentadas por delegações internacionais devido ao aumento dos preços das hospedagens em Belém.
Até agora, apenas representantes de 71 países confirmaram presença com estadia garantida — pouco mais de um terço das 196 delegações previstas. Países como Estônia e Polônia já cogitam não participar por conta dos custos.
A situação levou a ONU a recomendar que suas agências reduzam o tamanho das comitivas enviadas ao encontro climático. O comunicado foi assinado por Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção do Clima (UNFCCC).
Obras e atrasos na sede da COP30
Enquanto tenta conter a crise, Belém também corre contra o tempo na execução de obras de infraestrutura.
Estão em andamento a modernização do aeroporto, reformas em terminais hidroviários e a construção da chamada Vila COP.
Porém, alagamentos recentes e o atraso na entrega de intervenções em canais de macrodrenagem levantam dúvidas sobre a capacidade da cidade de concluir todos os preparativos a tempo.