“Espero que essa CPI ainda produza bons resultados, pois os maus resultados já estão aí: empresas não querem mais vender vacinas para o Brasil”. Com essa frase, o líder do governo Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP/PR), incendiou a sessão desta quinta-feira (12) da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado e provocou a segunda suspensão dos trabalhos do dia.
“Afastamos a vacina que vocês, do Governo, queriam tirar proveito”, respondeu o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), que decidiu suspender os trabalhos para que fosse avaliado a condição de depoente de Barros, que, a pedido do presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP/AL), prestava depoimento como convidado.
Omar sinalizou que pode transformar a condição dele para a de testemunha, quando ele não poderá mentir para os senadores, ou mesmo para investigado, quando poderá se calar diante dos questionamentos. Nas duas condições, ele poderá ser preso.
A fala, considerada ofensiva pelos senadores, causou um grande bate-boca, começando pela senadora Simone Tebet (MDB/MT). “Quando a CPI começou, estávamos com quase 400 mil mortos e sem vacinas. Hoje a situação é muito melhor. Então, o senhor, líder do governo, não pode vir aqui mentir e dizer que produzimos resultados ruins”, atacou Simone.
Para o senador Humberto Costa (PT/PE), só não quer mais vender vacinas para o Brasil os laboratórios envolvidos em acordos suspeitos e patrocinados pelo próprio Governo, como a Covaxin, que teve intermediação da empresa paranaense Precisa Medicamentos, e CanSino, do laboratório Sinovac, mas que tinha a intermediação também de uma empresa paranaense, a Belcher, que é de Maringá, terra de Barros. “Não venha mentir. Nós só causamos maus resultados para essas empresas picaretas”, atacou Costa.
A bancada governista da CPI, capitaneada pelo senador Marcos Rogério (DEM/RO), também entrou no bate boca. “Isso mesmo, ninguém quer investigar nada. Vamos investigar o consórcio Nordeste”, disse.
Texto: Gerson Severo Dantas
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