O reverendo Amilton Gomes de Paula adotou a tática de negar suas ligações políticas para escapar da acusação de tráfico de influência no episódio da venda de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca que, supostamente, pertenceria a empresa norte-americana Davati Medical Suplly e seriam negociadas com o Ministério da Saúde. Amiltou depõe hoje (3) à CPI da Covid, no Senado Federal.
No momento mais constrangedor, o reverendo afirmou que era demonstração “falsa de prestígio” e bravata o conteúdo de um diálogo registrado no aparelho celular do representante comercial da Davati, Luiz Paulo Dominguetti, no qual Amilton diz que a “primeira-dama Michele” havia entrado no circuito, numa referência a uma possível intermediação da esposa do presidente Jair Bolsonaro nas negociações.
Na oitiva, Amilton tenta explicar como, sem qualquer influência política, marcou uma reunião no Ministério da Saúde enviando apenas um e-mail e sem qualquer interferência. “Nós encaminhamos um e-mail ao ministério e fomos atendidos”, disse o reverendo para o espanto dos senadores.
Presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD) lembrou que parlamentares governistas demoraram meses para ser recebidos nos ministérios, mas surpreendeu a performance de Amilton porque a resposta do Ministério para o e-mail de Amilton sequer foi registrada.
“O senhor foi ao ministério sem ter uma resposta oficial”, espantou-se Omar Aziz.
A senadora Eliziane Gama (Cidadania/MA) reforçou o fato de que o ministério não respondeu ao e-mail encaminhado pedindo audiência para apresentar a proposta de venda de vacinas. “O senhor pegou um uber e foi lá no ministério? O senhor não tinha resposta para o pedido de audiência, mas foi lá e foi recebido. Isso é um absurdo”, conclamou Eliziane, lembrando que Amilton foi para essa “audiência” com um grupo maior. “O senhor está protegendo alguém que fez este contato. Não é possível ter acontecido assim”, concluiu o senador Humberto Costa (PT/PE).
Texto: Gerson Severo Dantas
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