Se Donald Trump seguir adiante com a proposta de trocar o xarope de milho por açúcar de cana na Coca-Cola vendida nos Estados Unidos, o Brasil terá um papel decisivo — e o refrigerante pode ficar mais caro.
O Brasil é o segundo maior fornecedor de açúcar de cana para o mercado americano, atrás apenas do México.
A taxação imposta por Trump, prevista para entrar em vigor em agosto, tornará o açúcar do Brasil significativamente mais caro para os importadores e consumidores americanos, alertam os especialistas.
Atualmente, os EUA importam até 146 mil toneladas de açúcar brasileiro sem imposto. Qualquer volume adicional já paga uma taxa alta, de quase 80%. Com o tarifaço, o custo tende a subir ainda mais.
O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, seria o fornecedor mais lógico para a Coca-Cola americana. Mas as guerras comerciais travadas por Trump, incluindo essa nova sobretaxa, devem dificultar a equação.
Nos Estados Unidos, o xarope de milho domina a produção por um motivo simples: é mais barato. Trocar o adoçante exigirá mais que açúcar. As empresas terão custos extras para adaptar rótulos e receitas.
Já o impacto da taxação de Trump sobre o Brasil será bem limitado no que diz respeito ao açúcar. Apenas 2,5% das exportações de açúcar brasileiro vão para os EUA.
A maior parte segue para China, Indonésia, Índia e Oriente Médio. Dessa forma o Brasil pode facilmente redirecionar suas vendas para esses mercados, onde a demanda segue alta.
A verdade é que o açúcar brasileiro pode até se afastar das prateleiras americanas, mas continuará sendo protagonista em outros países. Nos EUA, a Coca-Cola feita “como Trump quer” tende a pesar mais no bolso do consumidor.
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