quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Chico quer a cadeira de Omar e disputa votos bolsonaristas com Menezes

Ex-vereador está em busca da tão sonhada cadeira no Senado e também alfinetou Arthur Neto, dizendo que o momento do tucano é de dar explicações à Justiça e não na política.
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Chico

Nas eleições de 2022, os amazonenses vão escolher um senador e a vaga que estará em jogo é ocupada hoje pelo senador Omar Aziz (PSD), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que investiga ações e omissões do Governo Federal no enfrentamento da pandemia no país.

Entre os nomes que estarão nessa briga está o do ex-vereador de Manaus e ex-deputado estadual Chico Preto (sem partido), ex-filiado ao Democracia Cristã. Até 2020 ele esteve como vereador na cidade de Manaus, quando deixou a Câmara Municipal de Manaus para ser candidato a prefeito da capital.

Além de Chico, figuram como possíveis candidatos ao Senado Federal: Arthur Neto (PSDB), Coronel Menezes (Patriota) e o próprio Omar Aziz, que vem declarando em entrevistas ser candidato à reeleição.

Senador com S maiúsculo

Para 2022, ele diz ser o “S maiúsculo de senador que o Estado precisa no Congresso Nacional”.

“Para assumir uma vaga no Senado é preciso ter história e ficha limpa. A experiência da política é totalmente diferente de outra experiência como, por exemplo, uma atividade no Exército Brasileiro. Tem que ter disputado eleições e, ao longo dessa caminhada, o seu nome não estar envolvido em atos que envergonhem aquele que confia e deposita o seu voto no político”, dispara o pré-candidato.

Chico Preto, que teve sua carreira política alavancada pelo hoje senador Eduardo Braga, também já caminhou ao lado de Omar Aziz. Quando deputado estadual, na época filiado ao PSD, Chico Preto chegou a ser líder do Governo Omar na Assembleia Legislativa.

O ‘amigo’ de Bolsonaro

Chico diz que Menezes não pode ser senador só por ser amigo de Bolsonaro
Chico diz que Menezes não pode ser eleito senador só por ser amigo de Bolsonaro (Foto: Divulgação)

Questionado sobre uma eventual disputa com Menezes pela cadeira do Senado, Chico foi enfático ao dizer que Menezes não tem história. “Ele precisa construir uma história na política. Mas, para isso, é preciso que ele tenha humildade de começar de baixo, disputando a Assembleia [Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas] ou a Câmara [Câmara Municipal de Manaus]. Ele tem que mostrar ao povo que tem capacidade, porque apenas dizer que é coronel e amigo de Bolsonaro não é suficiente para representar o Amazonas no Senado Federal”, destaca.

Chico reforça que a vaga de “amigo de Bolsonaro” está preenchida pelo deputado federal Hélio Lopes, do RJ, e pelos filhos do próprio Bolsonaro.

‘O tempo do tucano já passou’

Chico Preto avalia Arthur nas Eleições
Arthur Neto, ex-prefeito de Manaus, pode surgir como candidato ao Senado em 2022 (Foto: Reprodução)

Já sobre uma possível disputa de votos com o ex-senador e ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), Chico diz que o tucano já deu sua contribuição à política do Amazonas e que o momento atual é de dar explicações à Justiça.

“Recentemente, ele [Arthur] foi denunciado pelo Ministério Público por improbidade administrativa. Além disso, a Justiça agora retomou as investigações sobre o envolvimento do enteado do prefeito na morte do engenheiro Flávio. A Justiça apura o uso da estrutura da Prefeitura para modificar a cena de um crime e impedir que a verdade venha à tona. Então, só aí o Arthur tem muita coisa para explicar. Elegê-lo em 2022, diante desse processo, colocaria o Amazonas em uma situação vexatória e vergonhosa com um senador envolvidos nessas situações”, avalia.

Clima de pré-campanha

Fora do parlamento desde 2018, Chico Preto diz que vem se fortalecendo e crescendo entre o eleitorado por meio do diálogo com pessoas. “Muitas pessoas discordam de alguns posicionamentos meus e isso é bom. A crítica me ajuda a lapidar opiniões que eu carrego comigo e também me ajudam a concluir que em alguns posicionamentos preciso melhorar e, em outros, eu estou no caminho certo”, pontua.

CPI da Covid

Apresentando-se como um político de apoio ao Governo Bolsonaro, Chico foi questionado pelo RealTime1 sobre sua opinião em relação à CPI da Covid-19 do Senado Federal. Em tom de defesa a Jair Bolsonaro, Chico salientou que o atual presidente é, hoje, a melhor opção para o Palácio do Planalto.

“Eu vejo convicções e valores no presidente, ainda que eu discorde de alguns posicionamentos do Governo. A CPI hoje apura a conduta de servidores ligados à Saúde Pública, mas em nenhum momento investiga o gabinete do presidente. Esses assuntos na CPI sobre a saúde, envolvendo a compra de vacinas, não chegam ao Palácio do Planalto. Nenhum governo está imune à corrupção. Mas Bolsonaro agiu sobre o assunto, pois o governo afastou pessoas e, por exemplo, o contrato com a empresa que negociava a Covaxin foi cancelado. Então, não houve prejuízos aos cofres públicos”, defende o pré-candidato ao Senado.

Raio-X em Eleições

Chico Preto, que hoje não está filiado a nenhum partido, já passou por oito siglas partidárias PSC, PPB, PPS, PMDB, PP, PSD, PMN e DC. Disputou 10 eleições e venceu cinco vezes, sendo quatro para vereador e uma para deputado estadual. Além disso, o político cumpriu, como suplemente, meio mandato de deputado na Aleam.

Em sua primeira disputa, foi eleito vereador de Manaus pelo PSC, em 1996 e teve 1,70% dos votos válidos. Ele foi reeleito em 2000, já em novo partido, o PPB, com 3,28% dos votos. Quatro anos depois, em 2004, chegou ao terceiro mandato consecutivo na Câmara Municipal, com 2,43% dos votos.

Em 2006, no entanto, quis ser deputado estadual pelo PMDB. Tentou uma vaga na Assembleia Legislativa, mas, ao contrário das últimas eleições bem sucedidas, ficou apenas como suplemente. A tão sonhada cadeira só veio em 2008, quando surgiu uma oportunidade de assumir como suplente uma das cadeiras da Aleam.

De fato, Chico só conseguiu ser eleito deputado estadual em 2010, pelo PP. Teve 1,7% dos votos (26 mil) ficando em 9º lugar na classificação geral dos mais votados.

Em 2014, desta vez pelo PMN, ao invés de tentar reeleição como deputado estadual, Chico quis voos mais altos e almejou ser governador do Estado, mas não obteve sucesso. Conseguiu apenas 1,8% da preferência do eleitorado, cerca de pouco mais de 29 mil votos, passando longe da disputa no segundo turno que ficou entre Eduardo Braga (MDB) e José Melo (à época no PROS), esse último eleito governador.

Após a derrota rumo ao governo, Chico decidiu voltar à Câmara Municipal e foi eleito vereador em 2016, pelo PMN. Dois anos depois, em 2018, ele novamente tentou abandonar o mandato no parlamento municipal, desta vez para administrar o governo, como vice de David Almeida (na época filiado ao PSB).

Na ocasião, a dupla acabou em terceiro lugar. Com aproximadamente 90 mil votos de diferença para Amazonino (sem partido), que acabou derrotado por Wilson Lima (PSC) no segundo turno.

Nesta eleição, antes de compor a chapa ao lado de David Almeida, Chico Preto havia oficializado candidatura ao Senado Federal, mas aos 45 minutos do segundo tempo seu partido decidiu apoiar David Almeida ao governo e lançou seu nome para o cargo de vice. Foram eleitos como senadores Plínio Valério (PSDB) e Eduardo Braga (MDB).

Em 2020, última eleição em que disputou, Chico teve apenas 1,65% dos votos válidos para prefeito de Manaus, ficando na antepenúltima posição, a frente apenas de Marcelo Amil (na época candidato pelo PCdoB) e Gilberto Vasconcelos (PSTU).

Texto: Isac Sharlon

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