Ao menos 80 parlamentares estão na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de irregularidades nos repasses de emendas parlamentares.
A informação foi revelada pelo site O Antagonista e mostra que os inquéritos tramitam nos gabinetes de nove ministros da Corte, com a maioria dos casos sob relatoria do ministro Flávio Dino.
As investigações têm como base diferentes denúncias e apontam suspeitas de fraudes em obras públicas, corrupção eleitoral e cobrança de propinas que variam entre 6% e 12% dos valores das emendas.
Parte dos recursos teria sido destinada a municípios do interior, onde a fiscalização é mais difícil e a atuação de operadores políticos mais discreta.
Os inquéritos envolvem deputados de diversos partidos, da base e da oposição, incluindo nomes do chamado “baixo clero” e também da cúpula da Câmara dos Deputados.
Além de Dino, outros ministros como Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia também analisam casos relacionados ao suposto esquema.
O conteúdo das investigações ainda não foi tornado público, mas o volume de parlamentares sob suspeita acende um alerta sobre o uso político das emendas parlamentares — instrumento criado para aproximar o Legislativo das necessidades locais, mas que vem sendo sistematicamente distorcido.
O levantamento do O Antagonista surge no momento em que o Congresso pressiona o Executivo por mais recursos e menos controle sobre a execução das emendas.
A contradição é evidente: enquanto pedem mais autonomia para distribuir dinheiro público, aumentam os indícios de que parte desses recursos pode estar sendo desviada.
Com o STF avançando nas apurações, a tensão entre os Poderes tende a crescer.
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