quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Indústria de eletroeletrônicos prevê queda nas vendas no 1º semestre de 2025, aponta Eletros

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geladeira

A indústria de eletroeletrônicos no Brasil projeta retração de 1% nas vendas no primeiro semestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano passado.

A estimativa da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) leva em conta a piora nas condições de crédito, o avanço da inflação e a instabilidade econômica, que afetam diretamente o consumo de bens duráveis.

Os dados apontam queda nas vendas de todos os principais grupos de produtos.

A chamada Linha Portátil — que inclui itens como fritadeiras elétricas, ventiladores e aspiradores robôs — teve retração de 6% e, mesmo assim, segue sendo a mais representativa do setor, respondendo por 66% das vendas.

Já as Linhas Branca (como geladeiras e máquinas de lavar) e Marrom (como TVs e equipamentos de áudio) também registraram redução, embora em menor proporção.

Apenas os aparelhos de ar-condicionado e produtos da Linha TIC (como lâmpadas inteligentes e monitores) apresentaram leve crescimento de 1%.

A Eletros explica que, diante do crédito mais caro e difícil, muitas famílias têm dado prioridade a gastos essenciais, como alimentação e medicamentos.

“Apesar da resiliência do setor e dos avanços recentes, a confiança do consumidor ainda é sensível ao cenário macroeconômico”, diz a nota divulgada pela associação.

Embora os números de 2024 tenham sido os melhores em uma década, esse desempenho foi impulsionado pelas importações de equipamentos mais baratos, especialmente da Linha Portátil. Para esse segmento, a previsão é de queda de 4% até o fim de 2025.

Uma das principais preocupações do setor está na cadeia de produção de ar-condicionado. A escassez de compressores — componente essencial — tem limitado a produção nacional.

Segundo a Eletros, há apenas um fornecedor no país, cuja capacidade não atende à demanda atual. A entidade cobra do governo federal a flexibilização de regras que obrigam a compra de componentes nacionais, permitindo a importação para garantir o abastecimento.

“O setor de ar-condicionado vive uma crise de oferta. A regra que exige insumo local precisa ser revista, pois a produção atual não é suficiente. Isso limita a indústria, encarece os produtos e prejudica o consumidor”, afirmou Jorge Nascimento, presidente da Eletros.

Apesar do cenário desafiador, a expectativa é de recuperação moderada no segundo semestre, puxada por datas como a Black Friday e o Natal.

Mesmo assim, a associação alerta que, se os juros seguirem altos e o cenário econômico permanecer instável, as vendas devem continuar em queda.

A estratégia das empresas será focar na eficiência, no controle de estoques e na renegociação com fornecedores e varejistas.

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