quinta-feira, 5 de novembro de 2026

História e tecnologia serão fundamentais no resgate do Museu do Porto

Para um Museu do Porto de 2022, os grupos técnicos e colaboradores buscam a modernidade, que a viagem deixe as canoas e navios a vapor para dar lugar ao touch screen.
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Museu do Porto

“Tudo que eu contar daqui por diante será como testemunha de vista de um tão novo e nunca visto descobrimento”. O trecho é parte do relato do frei Gaspar de Carvajal sobre a viagem de Francisco de Orellana em toda a extensão do rio Amazonas, escrito em 1541. Esse relato faz parte da história que permanece viva entre as águas dos rios que banham a capital amazonense e seu povo. E ele fará parte da conexão entre passado e futuro que se desenha para um dos projetos do “Nosso Centro”, da Prefeitura de Manaus, para requalificação do Museu do Porto, fechado há mais de 20 anos.

O “Nosso Centro” faz parte do programa de crescimento econômico e social lançado pelo prefeito David Almeida, o “Mais Manaus”, que prevê investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão nos próximos anos.

Durante visita ao Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), que coordena os projetos do “Nosso Centro”, a professora, jornalista e historiadora Etelvina Garcia apresentou conceitos, muita história e relatos sobre a importância da área portuária para a capital e o antigo museu, tratando da edificação histórica na rua Governador Vitória, esquina com a travessa Vivaldo Lima.

Espaço

“Quando se pensa em um museu, como o Museu do Porto, lógico que procuramos preservar o que foi feito pelas pessoas que nos antecederam, que criaram um acervo, mas temos que ter um museu de futuro, juntando o passado”, comentou Etelvina Garcia.

A ideia do grupo técnico e da gestão do prefeito David Almeida, que se debruça sobre o Centro, é ter projetos que promovam diálogo forte com as populações, motivadores, tecnológicos e digitais, além do caráter didático, criativo e que possam também funcionar como centro de estudos.

“Usar o espaço onde funcionou o Museu do Porto para uma área interativa, onde as pessoas entendam que tudo que aconteceu em Manaus, nasceu junto com o porto. A cidade, o rio, a floresta, tudo isso faz parte de uma coisa comum, e o homem tem uma participação interativa dentro disso”, destacou a historiadora.

Para um Museu do Porto de 2022, os grupos técnicos, colaboradores e prefeitura buscam a modernidade, que a viagem deixe as canoas e navios a vapor para dar lugar ao touch screen, levando os visitantes a uma navegação no tempo, mostrando, por exemplo, a implantação da navegação comercial que cruzava águas até chegar à Bacia Amazônica.

Também poderá se viajar e recordar a riqueza da borracha e as grandes transformações promovidas na capital, a partir da linha direta de navegação entre Manaus e Liverpool.

História

O Museu do Porto foi criado em meados da década de 1980, reunindo valioso acervo do complexo portuário construído pela Manáos Harbour Limited, a empresa inglesa a quem a firma B. Rymkiewicz & Companhy transferiu os direitos e obrigações conquistados em concorrência pública em contrato assinado com o Governo da República, em 1901, para executar obras de melhoria no porto de Manaus.

O museu foi instalado na antiga casa de máquinas da Manáos Harbour, o prédio número 1 da história do porto, construído para abrigar a usina de eletricidade que alimentaria a execução de obras e garantiria o funcionamento dos equipamentos e instalações por seis décadas.

Ali também se reuniram fotografias, instrumentos náuticos, mobiliário dos gabinetes dos diretores da empresa inglesa, atas, livros fiscais, plantas, orçamentos e cronogramas das construções de todos os prédios, pontes, cais, muralhas, armazéns, linhas férreas e outros. Eram mais de 300 peças, incluindo uma antiga locomotiva, que ainda está no local. O prédio histórico é tombado pelo Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan).

Com informações da assessoria

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