quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CEO da COP30 alerta que ignorar adaptação ao clima pode custar caro ao setor empresarial

COMPARTILHE
Ana Toni, CEO da COP30. (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)

Em entrevista ao programa CNN Entrevistas, neste fim de semana, a CEO da COP30, Ana Toni, afirmou que a mudança do clima já é uma realidade que exige respostas concretas tanto do setor público quanto do setor privado.

Segundo ela, o foco excessivo em mitigação faz com que empresários brasileiros deixem de enxergar as oportunidades econômicas ligadas à adaptação climática.

“O setor privado ainda não vê oportunidades de negócios na adaptação. Ele pensa muito em mitigação, hidrogênio verde, painéis solares, o que é ótimo. Mas a gente, infelizmente, já está no momento de adaptação. O setor privado também tem oportunidades econômicas e precisa que estar muito consciente para que não perca negócios”, disse Ana Toni.

Leia mais:

Ela destacou exemplos práticos que já demonstram como a adaptação pode gerar soluções de mercado: no setor agrícola, com o uso de sementes mais resilientes e sistemas de irrigação aperfeiçoados; na infraestrutura, com obras mais resistentes a enchentes e desastres; e no setor de seguros, com novos produtos voltados à proteção contra tragédias climáticas.

“O setor privado deveria se resguardar porque o custo da inação pode ter um prejuízo muito grande para as próprias empresas. Tem que perceber que a mudança do clima é real, tanto no custo da inação, quanto de possíveis oportunidades econômicas. E isso é um grande novo ‘business’ que está surgindo no mundo inteiro”, acrescentou.

Ana Toni também defendeu que a adaptação climática seja incorporada às ações de governo, especialmente para reduzir impactos nas populações mais pobres.

Segundo ela, os eventos extremos, como o que ocorreu recentemente no Rio Grande do Sul, tendem a agravar desigualdades.

“O que a gente tem que perceber, principalmente para as populações mais vulneráveis, é que a mudança do clima é um acelerador de pobreza e de desigualdade”, afirmou a CEO, que deixou o Ministério do Meio Ambiente para assumir a direção executiva da conferência climática.

Por fim, Toni reforçou que sediar a COP30 em Belém tem valor simbólico e político, pois ajuda a mostrar que a crise climática não é apenas um tema ambiental, mas também social e econômico.

“Quando a gente vê o que aconteceu no Rio Grande do Sul, os mais vulneráveis são os que mais sofreram. Então, não, mudança do clima não é um tema ambiental somente, ele é um tema social e um tema econômico”, disse.

*Com informações da CNN Brasil

Leia mais:

COMPARTILHE