quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Atraso na gestão de resíduos da Região Metropolitana de Manaus: desperdício de tempo e de potencial energético

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Por mais de uma década, a cidade de Manaus e municípios da Região Metropolitana aguardam uma solução definitiva para a destinação ambientalmente adequada de seus resíduos.

Mesmo com o avanço tecnológico e os marcos legais estabelecidos, a capital amazonense ainda depende de um “aterro controlado” que deveria ter sido desativado em 2021 — conforme prevê o Novo Marco do Saneamento e a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

O novo Centro de Tratamento e Transformação de Resíduos (CTTR), construído pela Marquise Ambiental, está concluído, licenciado e pronto para operar desde agosto de 2023, mas permanece inutilizado.

Localizado a cerca de 40 km da capital, o CTTR foi projetado para tratar até 70% dos resíduos gerados num raio de 15 quilômetros de Manaus e que poderá atender também aos municípios do entorno de Manaus a curto prazo.

A unidade conta com infraestrutura e soluções ambientais alinhadas à transição energética:

  • Estação de tratamento de chorume por osmose reversa
  • Sistema de captação de biogás para geração de energia
  • Planta de produção de biometano, com capacidade de até 140 mil m³ por dia

“No CTTR, o biogás pode começar a ser produzido a partir do terceiro ano da decomposição dos resíduos. Ele pode ser separado em CO₂ e metano e transformado em biometano — um combustível limpo, que substitui o gás natural e contribui para a descarbonização”, explica Hugo Nery, CEO da Marquise Ambiental.

O projeto já está regularizado junto ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), com Licença de Operação válida (LO nº 173/2023), e não se encontra em Área de Preservação Permanente nem em Unidade de Conservação, conforme atestou o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).

Em vez de acelerar a transição, no entanto, o que se vê é uma postergação. Por meio de acordo judicial firmado entre a Prefeitura de Manaus e o Ministério Público do Estado, o atual aterro recebeu novo prazo para funcionar até abril de 2028 — uma prorrogação que, na prática, empurra o problema por mais cinco anos, à revelia da legislação vigente.

Em janeiro deste ano, a Secretaria nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos H;idricos e Qualidade Ambiental encaminhou ofício à Prefeitura de Manaus solicitando informações sobre a “situação do encerramento do lixão/aterro controlado localizado às margens da rodovia AM-010, Km 19, Bairro Lago Azul, Zona Norte”.

Com estrutura disponível e licenças em dia, o não funcionamento do CTTR não encontra justificativa técnica. O impasse é político e administrativo — e representa um desperdício de tempo, recursos e potencial energético.

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