A reforma tributária em tramitação acendeu um sinal de alerta no setor aéreo. A nova alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), estimada em 26,5% para as passagens aéreas, pode elevar significativamente os preços e diminuir a demanda de passageiros.
A estimativa é da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), que prevê uma queda de até 30% na demanda por voos.
Hoje, o preço médio de uma passagem doméstica gira em torno de R$ 743. Com o novo imposto, o valor pode subir para R$ 914).
Em viagens internacionais, a média atual de US$ 740 (R$ 4.230) deve passar para US$ 935 (R$ 5.345). O impacto seria sentido por passageiros e companhias, em um momento de recuperação do setor após os efeitos da pandemia.
“O cenário seria desastroso para a indústria”, alertou Peter Cerdá, vice-presidente regional da Iata para as Américas durante a conferência anual da associação, realizada em Nova Délhi, na Índia.
Segundo ele, o aumento de custos não afeta apenas as empresas brasileiras, mas também as internacionais que operam no país.
Em abril, o tráfego aéreo na América Latina cresceu 10,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em comparação com abril de 2019, antes da pandemia, a alta foi de 16,2% — acima da média global.
A preocupação da Iata ocorre em um momento delicado para o setor no Brasil, com grandes companhias, como a Azul, recorrendo ao Chapter 11 — lei de recuperação judicial dos EUA — para reestruturar suas operações. Um ambiente tributário mais rígido pode agravar ainda mais esse cenário.
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