O Brasil voltou a figurar entre os países mais desafiadores do mundo para a atividade empresarial. A edição 2025 do Índice Global de Complexidade Corporativa (GBCI), elaborado pela consultoria TMF Group, posicionou o país na 6ª colocação entre as 79 jurisdições analisadas.
O ranking mede a dificuldade de estabelecer e operar empresas, com base em 292 indicadores de complexidade regulatória, fiscal, contábil e trabalhista.
O relatório, divulgado nesta quarta-feira (28), mostra que o Brasil subiu uma posição em relação ao ano anterior, quando estava em 7º lugar. Em 2022, chegou a ocupar o primeiro lugar como o país mais complexo do mundo para negócios.
A pesquisa considera que, embora a digitalização dos sistemas e os investimentos em infraestrutura tenham avançado, o ambiente de negócios brasileiro ainda é marcado por uma elevada carga regulatória.
“Fazer negócios no Brasil continua complexo em termos de governança geral, especialmente no que diz respeito às transações que garantem o registro e o pagamento correto dos impostos”, avalia o relatório.
Entre os fatores que contribuem para a alta complexidade estão a sobreposição de tributos federais, estaduais e municipais e a integração parcial das normas contábeis com os padrões internacionais (como IFRS e US GAAP).
A TMF destaca ainda que, com o avanço da reforma tributária em debate no Congresso, o nível de incerteza regulatória permanece elevado.
Apesar do cenário regulatório, o país se destaca por iniciativas em tecnologia de monitoramento fiscal em tempo real, como a nota fiscal eletrônica e a obrigatoriedade de declaração digital de tributos.
Isso aumenta o controle estatal sobre as operações, mas também impõe novos desafios de compliance às empresas.
Segundo o GBCI, o Brasil também investe em grandes projetos logísticos. O governo federal prevê R$ 2 trilhões em infraestrutura, com foco em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Ainda assim, a região sul-americana como um todo aparece como a mais impactada por entraves logísticos, 60% das jurisdições da América do Sul identificam dificuldade de acesso a rotas comerciais.
Em termos de mercado de trabalho, o Brasil registra relativa estabilidade, com adesão crescente a modelos híbridos, principalmente nas capitais.
A adoção de tecnologias para gestão de pessoal e folha de pagamento segue em expansão, embora a alta rotatividade e a escassez de mão de obra qualificada continuem como desafios.
Entre os países mais complexos do mundo, a Grécia lidera a lista, seguida por França, México, Turquia e Colômbia.
Já entre os menos complexos, destacam-se República Tcheca, Curaçao, Ilhas Virgens Britânicas, Jamaica e Holanda.
O levantamento da TMF Group abrange 94% do PIB global e 95% do fluxo de investimento estrangeiro direto (IED).
O objetivo é apoiar empresas multinacionais na compreensão dos riscos e oportunidades em diferentes mercados.
Veja os 10 países mais complexos para fazer negócios em 2025:
- Grécia
- França
- México
- Turquia
- Colômbia
- Brasil
- Itália
- Bolívia
- Cazaquistão
- China Continental
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