Guerra tarifária é o nome dado à disputa entre países que elevam impostos sobre produtos importados para proteger suas economias ou pressionar parceiros comerciais. Desde a posse de Donald Trump, em janeiro de 2025, os Estados Unidos vêm adotando uma postura mais inclinada a essa dinâmica.
O RealTime1 fez um levantamento com base no documento e material elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ” Monitoramento de medidas comerciais dos Estados Unidos”, publicado no mês de Abril.
O governo americano iniciou a escalada impondo uma tarifa básica de 10% sobre produtos importados da China, justificando a medida como defesa da indústria nacional.
Atualmente, produtos chineses já alcançam taxas de até 245%. Porém, a Casa Branca já avalia reduzir as tarifas para um patamar entre 50% e 65%, em meio à pressão global e negociações em andamento com Pequim.
Apesar do possível recuo, as taxas permanecem altas o suficiente para restringir parte significativa do comércio entre as duas maiores economias do mundo, e aliados como União Europeia, México, Japão e Brasil foram afetados, com tarifas mínimas de 10%.
O objetivo: estimular a indústria nacional americana, dificultar concorrência estrangeira e consolidar força geopolítica.
Zona Franca de Manaus ganha destaque
Segundo Nota Técnica da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), à qual o RealTime1 teve acesso, a elevação dos impostos sobre eletrônicos, automóveis e têxteis vindos da Ásia cria oportunidades para a indústria instalada no Amazonas.
O polo industrial de Manaus, estruturado para atender demandas do setor eletroeletrônico, de motocicletas e componentes, pode ampliar sua presença em mercados como o dos Estados Unidos, aproveitando a perda de competitividade dos produtos asiáticos.
De acordo com a análise da Sedecti, segmentos industriais da ZFM têm condições de ocupar parte do espaço deixado pelos asiáticos, tornando o Brasil mais atrativo para investimentos e exportações industriais.
Para o Amazonas, o momento representa a chance de consolidar a ZFM como protagonista em uma nova rota do comércio internacional.
Reação global e posição do Brasil
A China respondeu à altura, com tarifas e restrições próprias. Canadá e União Europeia abriram disputas na OMC e anunciaram suas contramedidas.
O Brasil, por sua vez, optou pelo diálogo, aprovando a Lei da Reciprocidade, um instrumento que permite adoção de contramedidas caso haja prejuízo às exportações nacionais.
Ao mesmo tempo, prepara missão empresarial aos EUA e monitora de perto os efeitos sobre exportadores e a indústria local.

Em audiência no Senado Federal, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou que o Brasil pode se destacar entre emergentes no cenário da guerra tarifária.
Segundo ele, o país possui uma pauta comercial diversificada e um mercado interno robusto, o que traz maior segurança para investidores internacionais.
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