terça-feira, 29 de setembro de 2026

Manaus tem arborização urbana bem inferior a capitais do agronegócio, aponta IBGE

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Av. Constantino Nery em Manaus. (Foto: Nathan Marinho / RT1 Play)
Av. Constantino Nery em Manaus. (Foto: Nathan Marinho / RT1 Play)

Mesmo cercada pela maior floresta tropical do mundo, Manaus apresenta um índice de arborização urbana mais baixo que das capitais brasileiras ligadas ao agronegócio.

Os dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que apenas 44,8% da população urbana de Manaus vive em ruas com pelo menos uma árvore. Na região Norte, a capital amazonense só está à frente de Belém (44,6%), sede da próxima COP30, e Rio Branco (39,9%).

O triste contraste é mais evidente ao comparar Manaus com capitais como Campo Grande (91,4%), Goiânia (89,6%), Palmas (88,7%) e Cuiabá (74,5%) — todas em regiões associadas ao agronegócio e com forte histórico de desmatamento.

Entre as capitais amazônicas voltadas ao agro, Porto Velho (64,9%) e Boa Vista (52,6%) apresentam índices bem superiores ao da capital amazonense.

Segundo o IBGE, para que uma via urbana seja considerada arborizada, é necessário que tenha pelo menos uma árvore com mais de 1,70 metro de altura.

A pesquisa levou em conta exclusivamente as áreas urbanas, onde vivem 85% da população brasileira, e revela um paradoxo alarmante: a vegetação urbana de Manaus não reflete a exuberância da floresta que a cerca.

Os dados sobre a arborização urbana de Manaus, obtidos anteriormente no Censo Demográfico de 2010, já posicionavam a cidade como a terceira capital menos arborizada do país na época. Hoje ocupa a sétima posição entre as capitais menos arborizadas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada habitante deveria contar com ao menos 12 metros quadrados de área verde.

Para atender à recomendação da OMS, Manaus deveria ter pelo menos 2.640 hectares de áreas verdes urbanas, considerando sua população de mais de 2,2 milhões de habitantes — valor que ainda se mostra insuficiente na distribuição por pessoa e na qualidade dos espaços verdes.

A falta de planejamento urbano e o crescimento desordenado agravam o problema.

A prefeitura de Manaus lançou, em 2023, o programa Manaus Verde, com meta de plantar 20 mil mudas até o fim de 2025. Em janeiro deste ano, o vice-prefeito Renato Jr., anunciou que 15 mil mudas devem ser distribuídas em 50 locais públicos da cidade até o final do ano.

Na prática, de 2023 até o final de 2024, o programa de plantio de mudas em Manaus realizou apenas 25% da meta. Isso significa que 75% das mudas ainda precisam ser plantadas ao longo de 2025.

Apesar da iniciativa, especialistas apontam que a densidade prevista para o plantio é baixa e não deve causar impactos relevantes no microclima urbano ou na biodiversidade.

Segundo eles, a estimativa está muito abaixo do necessário para restaurar ecossistemas ou promover melhorias reais na qualidade de vida da população.

Também é necessário cobrar a demora na execução do Plano Diretor de Arborização Urbana, sancionado em 2014 pelo ex-prefeito Arthur Virgílio. Passados dez anos, o plano está defasado e precisa ser atualizado com urgência pela prefeitura e pela Câmara Municipal.

Entretanto, além de se cobrar ações mais robustas por parte do poder público, é preciso mais engajamento de toda a sociedade civil e da iniciativa privada como fundamentais para reverter esse cenário.

Para uma cidade que diz ter tanto orgulho de estar no meio da Amazônia, o desafio de se tornar verde de verdade começa por suas próprias ruas.

Confira na íntegra o ranking de arborização das capitais:

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