quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Saiba quem são os cardeais do Brasil que podem votar e influenciar a escolha do novo papa

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Vaticano será sede do conclave que reunirá cardeais para eleger o novo papa após a morte de Francisco.

Com a morte do papa Francisco, a Igreja Católica inicia o processo de escolha do novo pontífice. O Brasil, país com a maior população católica do mundo, tem atualmente oito cardeais com menos de 80 anos, todos aptos a participar do conclave que definirá o próximo líder da Igreja.

O conclave é o processo formal de eleição do papa. De acordo com as normas estabelecidas pela constituição apostólica Universi Dominici Gregis, somente cardeais com menos de 80 anos têm direito a voto.

Atualmente, há cerca de 130 cardeais eleitores no mundo. Destes, oito são brasileiros.

A votação ocorre na Capela Sistina, no Vaticano, sob isolamento total dos cardeais eleitores. São realizadas votações diárias até que um dos candidatos obtenha dois terços dos votos.

Quando o consenso é atingido, o resultado é anunciado por meio da fumaça branca que sai da chaminé da Capela.

Quem são os cardeais brasileiros que participarão do conclave

Dom Odilo Pedro Scherer (São Paulo)

Foto: Arquivo Canção Nova

Nomeado cardeal por Bento XVI em 2007, é arcebispo de São Paulo. Tem atuação destacada nas áreas de doutrina e ensino religioso e já ocupou cargos administrativos na Cúria Romana. É fluente em várias línguas e é considerado um dos principais nomes da Igreja na América Latina.

Dom Orani João Tempesta (Rio de Janeiro)

Foto: Arquivo Canção Nova

Arcebispo do Rio desde 2009, foi nomeado cardeal por Francisco em 2014. Ganhou notoriedade pela organização da Jornada Mundial da Juventude em 2013, evento que trouxe o papa ao Brasil. Atua com forte presença pastoral nas periferias urbanas.

Dom Paulo Cezar Costa (Brasília)

Foto: Arquidiocese Brasília

Arcebispo de Brasília desde 2020, tornou-se cardeal em 2022. Tem formação teológica avançada e já representou o Brasil em conferências internacionais. É considerado próximo do pensamento de Francisco, com ênfase no diálogo inter-religioso e em pautas sociais.

Dom Leonardo Ulrich Steiner (Manaus)

Foto: Diocese Decrato

Primeiro cardeal da Amazônia, foi nomeado em 2022. É arcebispo de Manaus desde 2019 e é ligado às discussões ambientais e indígenas. Participou do Sínodo da Amazônia e defende uma Igreja com presença mais ativa na região.

Dom Sergio da Rocha (Salvador)

Foto: Diocese de Colatina

Cardeal desde 2016, atuou em várias dioceses antes de assumir Salvador. Presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e tem perfil pastoral voltado para a assistência social. É respeitado entre os bispos latino-americanos.

Dom Jaime Spengler (Porto Alegre)

Foto: Vatican News

Nomeado cardeal em 2023, é o atual presidente da CNBB. Sua trajetória inclui trabalhos com juventude, formação e missões. Tem proximidade com movimentos populares e posições moderadas dentro da hierarquia eclesiástica.

Dom Raymundo Damasceno Assis (emérito de Aparecida)

Foto: Teresa Maia

Embora aposentado, ainda tem menos de 80 anos e pode votar. Presidiu a CNBB e o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). Teve papel relevante no pontificado de Bento XVI e foi uma das principais vozes da Igreja no Brasil durante a década de 2000.

Dom João Braz de Aviz (emérito de Brasília)

Foto: Reprodução

Foi prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada no Vaticano por mais de dez anos. Nomeado cardeal por Bento XVI, é conhecido por sua atuação internacional e por ter conduzido reformas importantes na vida consagrada.

Como funciona o conclave

O conclave é convocado sempre que a sede papal fica vacante, seja por morte ou renúncia. Os cardeais votantes se reúnem em clausura total na Capela Sistina.

Antes de cada votação, é feita uma missa denominada Pro Eligendo Pontifice. Durante o processo, todos os eleitores prestam juramento de sigilo absoluto.

São realizados até quatro escrutínios por dia. Se, após 33 ou 34 votos, nenhum candidato alcançar dois terços da votação, o conclave passa a considerar os dois mais votados, e a escolha é feita por maioria simples.

Contexto histórico dos últimos papas

Papa João Paulo II (1978–2005)

Polonês, foi o primeiro papa não italiano em mais de 450 anos. Teve papel importante na queda do comunismo na Europa e realizou grandes reformas e viagens internacionais. Morreu em 2005.

Papa Bento XVI (2005–2013)

Alemão, sucedeu João Paulo II. Foi o primeiro papa a renunciar em quase 600 anos. Intelectual e teólogo, atuou na reorganização doutrinária da Igreja. Após a renúncia, tornou-se papa emérito até sua morte, em 2022.

Papa Francisco (2013–2025)

Argentino, foi o primeiro papa da América do Sul. Enfatizou a atenção aos pobres, a proteção da Amazônia, o diálogo inter-religioso e promoveu reformas administrativas. Morreu em 2025, encerrando um dos papados mais representativos da América Latina.

A escolha do novo papa dependerá da articulação entre blocos regionais e correntes teológicas. O perfil mais provável é o de continuidade às reformas iniciadas por Francisco, embora existam setores da Igreja que defendem o retorno a posturas mais conservadoras.

*Com informações de InfoMoney

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