No próximo dia 26 de março, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizará eleições para reitor e vice-reitor. Cinco chapas concorrem aos cargos.
Hoje, o RealTime1 publica a entrevista a candidata à reitora, Profa. Dra. Tanara Lauschner, que tem como vice na chapa “Mudança! O Coletivo que Transforma” o Prof. Dr. Geone Maia.
Para garantir isonomia e oferecer aos leitores uma análise clara e objetiva das propostas, todas as entrevistas seguem o formato “ping-pong”, com perguntas idênticas para todos os candidatos. As respostas estão publicadas na íntegra, sem edição ou censura, respeitando a ordem alfabética dos entrevistados.
Com essa iniciativa, o RealTime1 reafirma seu compromisso com a informação responsável e imparcial, proporcionando aos leitores um espaço democrático para conhecer e avaliar as propostas dos candidatos.
RT1 – O que motivou sua candidatura à reitoria da UFAM e quais são os principais pilares do seu plano de gestão?
Primeiramente, é importante frisar que eu não sou candidata de mim mesma. Chegamos ao meu nome e ao do professor Geone Maia por meio de um processo de construção coletiva, a partir de um grupo que chamamos de “UFAM em movimento”. Ao longo de 2024, esse coletivo fez diversas reuniões para debater as questões mais urgentes sobre a universidade, e esses diálogos depois se consolidaram em nosso caderno de propostas. Então, eu me sinto muito honrada de ter sido escolhida, juntamente com o professor Geone, para representar esse coletivo. Chegamos a essa candidatura baseados em alguns pilares que consideramos essenciais, como a retomada do protagonismo da UFAM no debate público, a valorização da comunidade universitária – e isso inclui o acolhimento, políticas de permanência, cuidado com a saúde dos servidores, dentre outras coisas – e a compreensão da universidade como uma instituição integrada e multicampi.
RT1 – Diante dos desafios financeiros das universidades federais, quais estratégias pretende adotar para otimizar o orçamento e buscar novos recursos para a Ufam?
O orçamento das universidades é uma questão que envolve múltiplas frentes de atuação. Precisamos continuar a luta politicamente pela recomposição orçamentária, pressionando o governo através da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) e dos sindicatos, mas também precisamos que mais atores se envolvam nessa luta. Estamos às vésperas da aprovação da LOA e a bancada federal do estado pode ajudar defendendo a ampliação do orçamento das universidades públicas ao votarem o orçamento anual do governo, assim como a administração da universidade pode buscar os mecanismos já estabelecidos de financiamento, como é o caso da Lei de Informática, que permite que empresas de tecnologia financiem projetos em parceria com a universidade.
Há também a possibilidade de acessar financiamento internacional em parcerias estratégicas. Todas essas possibilidades serão exploradas na nossa gestão. Mas também precisamos observar que muitos dos problemas da universidade não são por limitação orçamentária, e sim por falhas de gestão. Quando falta manutenção no sistema de distribuição de água, por exemplo, ou quando a Universidade não consegue estabelecer convênios de maneira célere.
RT1 – O Hospital Universitário Getúlio Vargas hoje é de suma importância não só para Manaus mas também para o Estado, já que atende também pessoas oriundas de outros municípios em busca de tratamento. No entanto, ele estaria operando com apenas 30% de sua capacidade. O que pode/deve ser feito, efetivamente para que esse quadro seja revertido?
O fortalecimento do Hospital Universitário Getúlio Vargas é muito importante para o nosso projeto de Universidade, uma vez que ele é um patrimônio da UFAM e um legado para a sociedade. Investir e fortalecer o HUGV é também investir no ensino, pesquisa e extensão da UFAM. A grande questão que impede o funcionamento total do HUGV hoje é a falta de recursos humanos. Mesmo após a ampliação da estrutura do hospital, o número de contratações feitas pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) foi insuficiente para acompanhar esse crescimento. O HUGV já cumpriu todas as exigências técnicas para colocar novos leitos em funcionamento, mas o que falta são os profissionais para garantir esse atendimento.
A administração do hospital, junto com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, já levou essa questão ao Ministério Público para que providências sejam tomadas junto à EBSERH, mas é necessário que a própria reitoria da UFAM esteja à frente dessas negociações, mobilizando não só a EBSERH, mas também outros atores, para garantir que a população amazonense tenha acesso à assistência de saúde que precisa e merece.
Também planejamos realizar processos seletivos transparentes e ampliar políticas de acolhimento para os servidores, garantindo um ambiente acolhedor, que garanta direitos, sem diferenciação de tratamento entre os servidores da UFAM e os trabalhadores da EBSERH.
RT1 – Como sua gestão pretende lidar com a evasão estudantil e garantir mais políticas de permanência e inclusão para os alunos?
A evasão estudantil, assim como a questão orçamentária, é um problema que vai além da UFAM, mas a gestão superior não pode abrir mão da sua responsabilidade no combate à evasão, na melhoria dos processos seletivos e nas políticas de permanência. Sabemos que algumas dessas causas estão relacionadas a fatores socioeconômicos, estruturais e acadêmicos, e, por isso, vamos atuar nessas frentes.
Nossa proposta inclui a ampliação da assistência estudantil, fortalecendo os auxílios financeiros, a oferta de moradia universitária e a melhoria da qualidade dos restaurantes universitários. Também vamos investir no acompanhamento acadêmico, com um sistema integrado, que faça uso de Inteligência Artificial, e que identifique os principais fatores que fazem os estudantes evadirem para indicar ações como suporte pedagógico, psicológico e financeiro quando necessário. Adicionalmente, queremos promover a inclusão por meio da valorização da diversidade, garantindo políticas voltadas para estudantes indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pessoas com deficiência.
Buscaremos recursos para ampliar as estruturas físicas, reformar e modernizar laboratórios e salas de aula e incentivar a aplicação de novas metodologias de ensino e aprendizagem.
Também vamos garantir que a recém-criada Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAE) tenha um olhar sensível para consolidar suas ações e garantir suporte real aos discentes bem como fortalecer a PROEG em suas ações.
RT1 – Como sua administração pretende alinhar sustentabilidade, inovação e desenvolvimento acadêmico?
Entendemos que sustentabilidade, inovação e desenvolvimento acadêmico não são temas isolados, mas sim dimensões que precisam estar integradas para que a UFAM cumpra seu papel como instituição de referência na Amazônia. Sustentabilidade, para nós, vai além da preservação ambiental: ela envolve o uso eficiente de recursos, a promoção de práticas responsáveis e a busca por soluções que conciliem desenvolvimento e conservação. Para isso, queremos impulsionar pesquisas e projetos voltados para bioeconomia, mudanças climáticas, tecnologias limpas e o uso sustentável da biodiversidade amazônica. Mas isso só será possível se a inovação for um pilar central nesse processo. A inovação não pode estar restrita à tecnologia; ela precisa permear a gestão acadêmica, a modernização dos processos e a forma como a universidade se relaciona com a sociedade. Queremos ampliar a transferência de tecnologia e facilitar a transformação do conhecimento gerado na UFAM em soluções aplicáveis para o setor produtivo e para políticas públicas.
Além disso, a digitalização e o uso de novas tecnologias na comunidade universitária tornam os processos mais ágeis, eficientes e sustentáveis, reduzindo desperdícios e otimizando recursos. Por fim, o desenvolvimento acadêmico precisa ser o elo entre sustentabilidade e inovação. Precisamos garantir que a formação dos nossos estudantes e o avanço da pesquisa na UFAM estejam diretamente conectados aos desafios da Amazônia e do mundo. Isso significa fortalecer a pós-graduação, incentivar projetos interdisciplinares e ampliar a participação da universidade em redes de pesquisa nacionais e internacionais. Nossa missão é consolidar a UFAM como uma instituição que gera conhecimento e inovação com responsabilidade, promovendo um desenvolvimento acadêmico que tenha impacto real na sociedade e contribua para um futuro mais sustentável.
RT1 – Quais ações pretende implementar para fortalecer a pesquisa, a inovação e a relação da universidade com a sociedade e o setor produtivo?
Nosso compromisso é consolidar a UFAM como uma universidade que não apenas produz conhecimento de excelência, mas que também gera impacto concreto na sociedade. Para isso, temos algumas ações estratégicas em mente. Apoiar projetos que ofereçam soluções para desafios reais, especialmente aqueles relacionados à Amazônia, como sustentabilidade, bioeconomia, e transformação digital. Precisamos conectar melhor o que é produzido dentro da universidade com as demandas externas, e isso passa por uma relação mais próxima com empresas, instituições públicas e organizações da sociedade civil. Também pretendemos ampliar parcerias estratégicas e buscar novas formas de captação de recursos. Por isso, vamos incentivar a aproximação com o setor produtivo, buscando investimentos e colaborações que beneficiem tanto a universidade quanto o desenvolvimento regional. Para isso também precisamos preparar a universidade para que faça os seus processos formais de aprovação internos de maneira mais célere.
Além disso, é essencial garantir que nossos pesquisadores e pesquisadoras tenham as condições adequadas para desenvolver seus trabalhos. Isso significa investir na modernização de laboratórios, facilitar o acesso a editais e oferecer suporte técnico e administrativo para que consigam captar recursos e desenvolver projetos inovadores. Outro ponto importante é fortalecer o empreendedorismo acadêmico. A universidade precisa incentivar que pesquisadores e estudantes transformem suas pesquisas em soluções concretas, seja por meio de patentes ou transferência de tecnologia.
A universidade tem muito a contribuir, e é fundamental que esse conhecimento alcance um público maior e gere impactos duradouros. Com essas ações, acreditamos que a UFAM pode se consolidar como uma instituição protagonista na inovação e no desenvolvimento sustentável, contribuindo de forma efetiva para a transformação social e econômica da região.
RT1 – Por que a comunidade acadêmica deve escolher sua chapa para liderar a universidade nos próximos anos?
Experiência, compromisso público, respeito às pessoas, propostas factíveis e inovadoras e um time que quer construir uma UFAM mais forte que acolhe, inspira e realiza.
Tanto eu quanto o professor Geone temos uma visão estratégica de futuro para a UFAM como uma instituição multicampi. Tenho anos de atuação em ciência, tecnologia e gestão, e minhas experiências me deram a capacidade de gerenciar e dialogar com pessoas e articular recursos. Já tive a oportunidade de mostrar isso na prática através da articulação de grandes projetos estratégicos tanto para a UFAM quanto para a região amazônica.
Meu parceiro de chapa, o professor Geone Maia, também tem uma trajetória sólida na UFAM, com uma grande experiência na gestão acadêmica e no desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão, nunca fugindo de suas responsabilidades em buscar soluções para os problemas enfrentados.
Juntos, temos ampla vivência em gestão e um compromisso com uma UFAM democrática, inovadora e eficiente que potencialize as capacidades institucionais. Nossa experiência, aliada a um projeto de uma universidade forte construído por várias pessoas, nos credencia para enfrentar os desafios e conduzir a mudança que a comunidade acadêmica deseja e precisa. Aliás, nossa chapa se chama Mudança exatamente por isso, porque representamos uma proposta de mudança real, a partir de um projeto coletivo construído ativamente em diálogo com docentes, discentes e técnico-administrativos.
RT1 – Algum outro assunto que gostaria de destacar e que considere de importância para a comunidade universitária?
Eu gostaria de destacar a importância do processo democrático para a universidade pública, com o envolvimento de toda a comunidade universitária no debate de sua gestão e condução futura. Defendemos a autonomia universitária para escolher seus dirigentes e acreditamos que a forma mais democrática é através do voto paritário, em que cada segmento participa com um terço do peso dos votos. A eleição para a reitoria da UFAM nos fortalece enquanto sociedade e amadurece debates públicos que afetam toda a sociedade.
Eu gostaria de finalizar convidando as pessoas a conhecerem a nossa chapa. O número é 57, o nome é Mudança! e o nosso site é mudancaufam.com.br. Temos perfil em todas as principais redes sociais. Acessem nossas propostas e acompanhem nossas agendas. Venham fazer parte dessa Mudança!
CHAPA 57 – Mudança! O Coletivo que Transforma
Profa. Dra.Tanara Lauschner – Candidata ao cargo de reitora
Tanara Lauschner é professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) desde 2002 e Doutora em Informática pela PUC-RIO. Foi Subsecretária para Amazônia no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação entre 2023 e 2025, onde articulou investimentos de quase R$ 1 bilhão para a ciência na região amazônica. Foi Diretora do Instituto de Computação (IComp) da UFAM entre 2017 e 2021 e coordenou o Projeto SUPER, o maior projeto de P&D da instituição. É a única brasileira eleita para o atual conselho da Association for Computing Machinery (ACM), a maior sociedade científica de computação do mundo, e Diretora da Sociedade Brasileira de Computação. Também foi Coordenadora do Fórum da Internet no Brasil e conselheira do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Tanara tem experiência em gestão e articulação institucional, e conta com uma visão de gestão inovadora, democrática e voltada para o desenvolvimento e valorização da Amazônia.
Prof. Dr. Feone Maia – Candidato ao cargo de vice-reitor
Geone Maia é professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), doutor em Química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador na área de Química Orgânica e Produtos Naturais. É Diretor do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia (ICET) da UFAM em Itacoatiara (AM), atualmente desincompatibilizado. Coordenou projetos de pesquisa com financiamento pelo CNPq e FAPEAM, além de desenvolver atividades de extensão no ICET. Articulou junto com os demais diretores das unidades do interior recursos para a construção dos Restaurantes Universitários (RUs) e editais específicos para os campi fora da sede com agências de fomento. Também coordenou emendas parlamentares, entre 2023 e 2024, garantindo investimentos essenciais para os campi do interior. Geone Maia tem ampla vivência acadêmica e de gestão, e tem um compromisso sólido com a defesa dos campi da UFAM e com os direitos dos discentes, docentes e técnico-administrativos.
Leia Mais: