Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com dados do IBGE, revela que o impacto da inflação em 2024 foi menor para os mais ricos, enquanto as famílias mais pobres enfrentaram um aumento mais acentuado.
Para compreender esse cenário, é importante destacar que o Ipea classifica os brasileiros em seis faixas de renda mensal domiciliar:
- Muito-baixa – menor que R$ 2.105,99;
- Baixa – renda de R$ 2.106 a R$ 3.158,99;
- Média-baixa – renda de R$ 3.159 a R$ 5.264,98;
- Média – renda de R$ 5.264,99 a 10.529,96;
- Média-alta – renda de R$ 10.529,97 a R$ 21.059,92;
- Alta – renda maior que R$ 21.059,93.
Em 2024, a inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA, teve um aumento médio de 4,83% em comparação com o ano anterior.
As famílias de renda alta, com ganhos mensais acima de R$ 21.059,93, experimentaram a menor inflação em quatro anos, que caiu de 6,22% em 2023 para 4,43% em 2024. Esse foi o menor índice desde 2020.
Já as famílias com renda “muito baixa” – com ganhos inferiores a R$ 2.105,99 – viram a inflação subir de 3,27% para 4,91%.
O estudo também revelou que o aumento da inflação foi mais significativo para as famílias de baixa renda – que ganham de R$ 2.106 a R$ 3.158,99.
Essas famílias enfrentaram uma inflação de 5,02%, o que representa um aumento de 1,30 ponto percentual em relação ao ano anterior.
A diferença na inflação entre as faixas de renda está relacionada principalmente ao consumo das famílias.
As famílias mais pobres têm seus orçamentos mais impactados por itens como alimentos, energia elétrica e transporte público.
Já as famílias de alta renda gastam mais com produtos como passagens aéreas, planos de saúde e combustíveis.
O grupo de alimentos e bebidas foi responsável por um aumento de 2,29 pontos percentuais na inflação das famílias de baixa renda, enquanto nas famílias de alta renda esse impacto foi de apenas 0,94 ponto percentual.
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta quarta-feira (29/1) para decidir o novo patamar da taxa Selic.
Com isso, o Banco Central deve aumentar a taxa de juros em 1 ponto percentual, elevando a Selic para 13,25%. A medida visa controlar o poder de compra da população e isso impacta diretamente a inflação.
Confira o estudo completo do Ipea:
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